Águas Santas termina a época na sexta posição e Jorge Carvalho encerra carreira

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A Associação Atlética de Águas Santas termina a época 2010/2011 na sexta posição da tabela classificativa. Os adeptos até podem pensar que esta fase final não correu como o clube queria. O próprio treinador admite que queria mais vitórias. Mas feitas as contas e analisada a época, Jorge Borges afirma que foi “muito” positiva. “Conseguimos estar nos seis primeiros”, que era o primeiro objectivo, “conseguimos ir à final da supertaça, em Portimão, que foi um bónus acrescido, agora esperávamos nesta fase final outro tipo de rendimento e não aconteceu, nem sempre por nossa causa”, justificou numa crítica directa à arbitragem.

Jorge Borges vai continuar no comando técnico da Associação Atlética de Águas Santas, pelo menos, mais uma época. A renovação já aconteceu há algum tempo. E quanto à preparação para a próxima época diz que ainda é um pouco cedo para falar sobre o assunto.

Certo é que vai perder o capitão de equipa, Jorge Carvalho, “um jogador de qualidade, com grande carisma” e que terá de ser substituído na próxima época. No entanto, Jorge Borges, ainda não sabe por quem.
Questionado sobre as alterações que poderão surgir no plantel para a próxima época, o técnico admite que o assunto ainda não começou a ser analisado. Mas tudo passa por aquilo que o clube pode ou não pode assegurar em termos financeiros. “Não temos muito para onde nos virar, por isso, vamos ver com calma e com consciência porque o clube tem dificuldades e não podemos ultrapassar, de maneira nenhuma, essas dificuldades, para fazer o plantel para a próxima época”.

Na última partida realizada em casa, no passado dia 14 de Maio, o Águas Santas perdeu frente ao Sporting por 28-29. Jorge Borges reconhece que o jogo não era fácil, no entanto, afirma que os seus atletas trabalharam “com competência” para ganhar o jogo mas não os deixaram vencer. O técnico aponta o dedo à arbitragem. “Há aqui algumas coisas, só por uma altura é que falei nisso, mas voltam a acontecer coisas bizarras, sobretudo ao Águas Santas e é uma pena. Há sobretudo dois jogos em nossa casa que perdemos, que foi vergonhoso. O termo é vergonhoso e quando assim é, resta-nos lutar e continuar a lutar”.

O adeus do capitão

É que o último jogo do Águas Santas em casa, ficou também marcado pela homenagem de final de carreira desportiva do capitão da equipa. Jorge Carvalho representou a Atlética de Águas Santas desde 1997 e foi sempre considerado um “importante elemento” para os êxitos da equipa, como a subida à 1ª divisão em 1999, a primeira participação europeia em 2001/2002 e a conquista da Taça de Portugal nessa mesma época. “Durante a sua carreira tudo fez pela divulgação do andebol e do seu clube”, diz o clube.
No final da partida frente ao Sporting, o capitão recebeu lembranças da Junta de Freguesia de Águas Santas, da Câmara Municipal da Maia, do clube e dos colegas da equipa. Entre as lembranças, uma camisola emoldurada com o número 5, o número que vestiu durante 14 anos.

A idade foi factor decisivo para que o capitão colocasse um ponto final na carreira. Já tem 39 anos ainda se sente bem, no entanto, decidiu que era a altura certa para sair. “Não posso estar sempre a adiar, todos os anos adiava e este ano tinha que ser”, afirma. E termina, acrescenta, “num ano muito positivo” para si e para o clube.

Jorge Carvalho começou a jogar andebol “num clube pequenino”, o Falcão. Depois esteve no Gaia, foi para o Infesta, onde esteve entre cinco e seis anos, com o treinador Fernando Batista “que é uma pessoa fantástica”. Veio para o Águas Santas pela mão de José António Silva. E no Águas Santas ficou até agora. É o adeus a muitos anos a praticar a modalidade, mas sai feliz. “Estou contente por tudo. Não sou daquelas pessoas que chora”. Para Jorge Carvalho o último clube que representou acabou por ser uma segunda casa. “Esta gente é toda fantástica. Não há nada a dizer deste clube. São cumpridores. Fiz aqui muitos amigos”.
Será o ponto final na carreira como jogador, no entanto, assume que gostava de continuar ligado à modalidade.

Isabel Fernandes Moreira