Andebol: Mudanças federativas prejudicam treinadores

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A Federação de Andebol de Portugal (FAP) promoveu alterações na formação dos treinadores no nosso país que poderão afectar negativamente a maioria dos técnicos portugueses.

As alterações, que só entram em vigor para a época 2011/2012, resultam de um adaptação à legislação europeia e incluem a criação do Grau 4 de treinador (até agora só havia 3 graus), o que obriga os técnicos a completarem uma formação com um custo de 1050 euros que pode ter lugar em qualquer sítio do país e que obrigará os treinadores as despesas avultadas com valores que podem ser proibitivos para a maioria deles, uma vez que são amadores e nem recebem nos clubes.

O treinador maiato Paulo Sá, um dos “comandantes” da Académica da Maia-ISMAI, explicou alguma das alterações: “Durante muitos anos a Federação deu formação de três níveis, mas nunca deu a de grau 4 porque implicava muitos custos. Com esta nova alteração, isso terá que acontecer. A Federação, sem consultar ninguém, decidiu aplicar essa legislação europeia, deixando os técnicos numa situação complicada”.

O técnico maiato acredita que a decisão federativa “terá sido algo precipitada” e que os treinadores têm razões para estar preocupados: ”A FAP podia dar equivalência de Grau 4 a quem tem o Grau 3, mas optou por não o fazer e agora exige esse requisito para que continuem a treinar. Devido aos custos elevados da nova formação, há treinadores que ponderam não a fazer porque nem sequer ganham no clube. A agitação surge porque os técnicos que treinam equipas de divisões nacionais sabem que dentro de um ano se não tiverem essa formação poderão deixar de treinar. No entanto, isso ainda não é definitivo”, atira Paulo Sá.
Porém, essas alterações não afectam todos os treinadores em Portugal: “Na 1ª divisão, há técnicos que fizeram no estrangeiro uma formação chamada Master Coaching. Essa formação dá equivalência ao Grau 4, o que os deixa de fora das alterações”, finaliza Paulo Sá.

André Cordeiro

2 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde,

    Penso que a crítica do treinador Paulo Sá faz algum sentido, pois estamos perante uma mudança repentina e que pode prejudicar, injustamente, alguns treinadores e clubes.

    Por exemplo, imaginemos um clube que constrói esta época (2010/2011) um Projecto Novo para o seu Andebol Sénior. Convida um treinador com Grau 3. Nesta época, é legal o seu trabalho no comando técnico da equipa, mas para a próxima época (2011/2012), deixa de ser legal. Logo, o clube vai ter de contratar outro treinador, pondo em causa, novamente, a estabilidade da equipa e do clube. [vou abster-me aqui de comentar a dificuldade que os clubes têm em encontrar Treinadores de Grau 3 nas regiões fora da grande Lisboa e grande Porto)
    Penso que existem várias soluções para este problema:
    a) Nos Requisitos para o Grau 4, retirar os 3 anos com Grau 3, dado o seu índice de injustiça e incoerência;
    b) Admitir no Curso de Grau 4, e baixando o preço, para os treinadores de Grau 3 que já têm um Projecto num Clube;

    Existem ainda outras soluções. Mas por agora, deixo os colegas a pensar…

    Saudações andebolísticas.

    Jorge Dias.

  2. Concordo com todo o conteudo.
    Posso inclusive acrescentar que por este andar, muitos clubes terão os dias contados.
    Será um bom ou mau pronuncio para o andebol, que tem estado em crescimento.
    No que respeita às soluções, penso que já não poderão ser tomadas visto já se encontrarem a decorrer as formações para o Grau 4.
    Igualmente, penso que os Responsáveis Federativos, deveriam saber que o andebol nada tem a haver com o futebol, onde se ganham rios de dinheiro.

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