Boccia ao nível “mais alto”

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Diariamente. Tem sido esta a periodicidade dos treinos de Pedro da Clara. O atleta do desporto adaptado do FC Porto está concentrado na preparação para a Taça do Mundo de Boccia, já entre os dias 18 e 27 de Agosto, em Belfast, numa organização da CPISRA – Cerebral Palsy International Sports & Recreation Association. Mas antes de partir para a Irlanda, o maiato segue para Santa Maria da Feira, palco do estágio de preparação da selecção portuguesa da modalidade. Vai decorrer entre os dias 13 e 15 deste mês.

No Porto ou em Santa Maria da Feira, os treinos continuarão a ser diários, até ao início da Taça do Mundo, de forma a entrar em competição na melhor forma possível. E são distintos os objectivos, já que vai competir a nível individual e colectivo. Em ambos os casos, num formato semelhante aos das competições nacionais, isto é, uma fase de grupos e, depois, as eliminatórias, a disputar no Campus de Jordanstown da Universidade de Ulster.

Sabendo que o nível vai ser mais alto que nunca”, Pedro da Clara estará na classe BC4 da competição com os também portugueses Domingos Vieira (Sporting Clube de Braga) e Susana Barroso (Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Lisboa). Mas sem saber, no final da semana passada, que adversários vão defrontar em Belfast. O desafio passa por chegar às meias-finais da Taça do Mundo, para garantir a presença de Portugal nos Jogos Paralímpicos de 2012. A nível individual, admite que “será já difícil a qualificação para Londres”, mas não impossível.

De acordo com o calendário da prova, disponível no site da Taça do Mundo de Boccia 2011, a classificação, treino e verificação do equipamento da selecção lusa está previsto para o dia 19 de Agosto, entre as 14h40 e as 15h20.

Apesar de não ser a primeira vez que compete a nível mundial, e vestindo as cores nacionais, Pedro da Clara continua a ter dificuldades em descrever o que sente com este desafio. Sensação “indescritível” e “orgulho” são as palavras que usa quando questionado neste sentido. Da mesma forma, não são novas as críticas. E apesar do estatuto de alta competição, “é lamentável da parte do nosso governo não quererem saber de nós e não nos apoiarem praticamente nada, seja na nossa preparação, bolsas e prémios”, conclui, desanimado.

Marta Costa