Boccia luso a caminho dos paralímpicos

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Portugal regressou da Irlanda com uma medalha de ouro e duas de bronze. Foram conquistadas pelos atletas lusos que disputaram a Taça do Mundo de Boccia, em Belfast, nas classes BC2, BC3 e BC4. E foi o segundo país com mais medalhas conquistadas na prova, garantindo a qualificação para os Jogos Paralímpicos de Londres 2012.

O destaque vai para Abílio Valente, campeão na classe BC2. O atleta da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (APPC) do Porto ganhou as nove partidas disputadas, tendo marcado 43 pontos e sofrido apenas 21. Abílio Valente triunfou, na final, perante o britânico Nigel Murray, por 4-2. Na mesma classe, Cristina Gonçalves e Fernando Ferreira não chegaram, sequer, aos oitavos-de-final da Taça do Mundo de Boccia.

Outra medalha foi conquistada em BC3. Mas de bronze e na competição de pares. José Carlos Macedo, com Luís Silva e Armando Costa, terminaram a prova em terceiro lugar. Depois dos triunfos sobre a Argentina (8-0) e os Estados Unidos da América (10-1), Portugal perdeu com a Bélgica, por 0-5, mas foi empatar a quatro pontos com a Coreia, nos quartos-de-final. Sem sucesso perante os atletas da Grécia, que venceram por 7-0, os atletas lusos disputaram o terceiro e quarto lugares com o Canadá e saíram vitoriosos. Ainda que pela margem mínima de 4-3.

O terceiro lugar foi também o que Portugal conseguiu arrecadar, a nível individual, na classe BC4. Domingos Vieira foi quem conquistou a medalha de bronze, somando cinco vitórias e duas derrotas. O atleta luso estreou-se a vencer, frente a um coreano, mas foi depois derrotado pelo brasileiro Dirceu Pinto, por 10-0. Seguiu-se o mesmo resultado, mas a favor do português, no embate com o norte-americano Patrick Elliot. A última partida disputada em Belfast teve como adversário Wal Vivian Law, de Hong Kong, ganhando Domingos Vieira por 4-1 e, assim, assegurando o terceiro lugar.

E foi na mesma classe BC4 que competiu o maiato Pedro da Clara, ainda que sem nenhuma medalha conquistada, consequência de ter ficado no grupo que considera “o mais complicado”. Ainda começou bem a Taça do Mundo de Boccia, ao derrotar o eslovaco Martin Streharsky por 9-0, mas foi depois derrotado, por 0-8, pelo britânico Stephen Mcguire. Voltou a vencer no jogo seguinte, por 8-1, frente a Kwan Wong, de Hong Kong. Chegado aos oitavos-de-final da prova, Pedro da Clara empatou a cinco pontos com o brasileiro Adriano Silva. E terminou a participação no 11º lugar, com 22 pontos marcados e 14 sofridos, concluindo que “o principal objectivo foi cumprido”. O campeão foi o brasileiro Eliseu Santos.

Ainda em BC4, mas por equipas, Portugal não conseguiu ir além da fase de grupos, sendo ultrapassado pelo Canadá, com melhor “goal average”.

Na classe BC1, cujo campeão foi o coreano Kwang Min JL, Portugal não conseguiu nenhuma medalha, apesar de ter levado a Belfast João Paulo Fernandes (afastado nos quartos-de-final por um japonês) e António Marques (que também chegou aos quartos-de-final, mas perdeu com o britânico David Smith).

Por equipas, Portugal ainda chegou aos quartos-de-final da Taça do Mundo de Boccia, mas a Tailândia levou a melhor, ao triunfar por 6-5.

Ultrapassada mais esta etapa na carreira desportiva do maiato, Pedro da Clara quer agora fazer uma paragem e “quando recomeçar, pensar em melhorar e obter resultados, como vem sendo hábito, para que possa estar presente nos Jogos Paralímpicos”. Mais do que um objectivo, confessa que é um “sonho”.

Marta Costa