Câmara vai lançar concurso para a pista de tartan, sem certeza de financiamento

0
187

A Câmara Municipal da Maia não conseguiu o apoio comunitário para a renovação da pista de tartan do Estádio Municipal Dr. José Vieira de Carvalho, porque não adjudicou a obra. No estádio funciona o Centro de Alto Rendimento, que foi e é utilizado por vários atletas federados e por alguns dos melhores atletas da região Norte, como Fernanda Ribeiro, Albertina Machado, José Regalo, Nuno Fernandes, Jessica Augusto e Rui Silva, do Maia Atlético Clube. Com mais de 20 anos, a pista precisa de ser renovada. E por isso, a autarquia apresentou uma candidatura ao Programa Operacional de Valorização Territorial, inserido no Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Orçada em cerca de 600 mil euros, seria co-financiada em 75 por cento pelo QREN. Mas, há cerca de um mês, a Câmara da Maia foi informada pelo instituto que analisa as candidaturas aos fundos europeus de que não tinha sido aceite.

A explicação foi que, de acordo com o presidente da câmara, “só é possível apresentar uma candidatura se a obra já estiver devidamente adjudicada”. Bragança Fernandes está “revoltado” com a rejeição da candidatura, que tinha como objectivo a melhoria das condições de uma estrutura que é utilizada por um organismo do Governo, o Instituto do Desporto. Refira-se que, o Centro de Alto Rendimento de Atletismo foi criado em Setembro do ano passado, através de um protocolo assinado entre o Instituto do Desporto e a câmara, e homologado pelo secretário de Estado do Desporto Laurentino Dias.

O autarca não entende porque é que a obra tem de ser adjudicada antes de saber se será apoiada por fundos comunitários. “Lançar uma obra a concurso tem custos. É um contra senso estar a lançar a concurso uma obra sem eu ter a certeza que vai ser financiada. Na situação em que o país está, não pudemos andar a desperdiçar dinheiro”, criticou Bragança Fernandes. “As pessoas que estão à frente deste instituto têm de ver que não pode ser assim. As candidaturas têm de ser aceites, e depois é que se abre concurso para adjudicação”, acrescentou. Por isso, considera que devem ser alteradas as regras de candidaturas a fundos europeus.

Pela mesma razão, ou seja, porque a obra não foi adjudicada, a câmara viu também rejeitada a candidatura para a construção do Pavilhão Municipal de Pedrouços, obra que também recebeu o apoio do Instituto do Desporto, e que está orçada em cerca de cinco milhões de euros.

A Câmara da Maia fez já uma reclamação ao gestor do programa e ao Instituto do Desporto. Em resposta, foi informada de que as duas candidaturas ficam em lista de espera, a aguardar a desistência de alguns dos projectos cujo financiamento foi aprovado. O presidente da Câmara da Maia está convicto de que as candidaturas acabarão por ser aceites, mais tarde ou mais cedo. Convicto de que “muitos municípios vão desistir, porque não têm verbas para a parte do financiamento que lhes cabe”, Bragança Fernandes adiantou que vai lançar o concurso para adjudicação da obra de renovação da pista de tartan. Já o Pavilhão Municipal de Pedrouços terá de esperar por melhores dias.

Fernanda Alves