De Volta às estradas de Portugal

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O maior espectáculo velocipédico disputado em terras lusas está aí à porta. A 72ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta vai para a estrada entre 4 e 15 de Agosto. A prova de 2010 disputa-se entre Viseu e Lisboa, invertendo os papéis do ano passado. Os ciclistas vão percorrer 1613,5 km ao longo de doze dias de competição, repartidos por dez etapas, um prólogo e um dia de descanso.

Este ano a Volta arranca no dia 4 de Agosto com um prólogo de 5,5 km em Viseu, mas as dificuldades surgem mais cedo que nas últimas edições. Após a 1ª etapa que liga Gouveia a Oliveira de Azeméis numa extensão de 188 km que conta com uma passagem pela serra do Caramulo e uma chegada ao sprint em plano inclinado, os corredores encontram a primeira grande dificuldade logo na segunda etapa. Partindo de Aveiro, esta tirada termina no monte da Senhora da Assunção, em Santo Tirso, ao fim de 152 km, e, como refere o director da prova Joaquim Gomes, “os trepadores e candidatos que perderem tempo no prólogo terão a oportunidade recuperá-lo. É também uma oportunidade de ver que candidatos estão em boas condições”.

A terceira etapa será de novo para sprinters. Saída de Santo Tirso, esta tirada marca o regresso da Volta a Portugal a Viana do Castelo numa chegada difícil, depois dos ciclistas pedalarem 174 km. No quinto dia de Volta a Portugal chega uma das etapas mais importantes. A subida à Senhora da Graça, em Mondim de Basto, é já uma das maiores atracções da prova velocipédica e marca a primeira selecção entre os favoritos à vitória final. Os ciclistas partem de Barcelos para 176 km de sobe desce constante. Joaquim Gomes antevê uma grande selecção já nesta tirada: “Existirá uma montanha de 1ª categoria já no concelho de Mondim de Basto, em Campanhó, uma montanha difícil num percurso sinuoso e que fará com que o grupo da frente que iniciará a subida de oito quilómetros ao Monte Farinha não tenha mais de 30 ou 40 unidades”.

Depois do do já habitual dia de descanso em Fafe, os ciclistas da Volta terão duas etapas de transição propícias a fugas e chegas em pelotão compacto. A quinta etapa, de 172 km entre Fafe e Lamego, serve para admirar as belas paisagens da região demarcada do Douro, com várias subidas e descidas. Já a sexta tirada, entre Moimenta da Beira e Castelo Branco, é a mais longa desta 72ª edição (221 km) e tem uma complicada passagens pela Guarda.

Estas duas tiradas antecedem a etapa rainha da Volta a Portugal. Com saída de Idanha-a-Nova, os ciclistas têm a chegada ao alto da Torre, na Serra da Estrela, ao fim de 168 km. Com 60 km finais sempre em subida, aqui se poderá começar a decidir o vencedor de 2010 da Volta a Portugal. Pelo menos este é o pensamento de Joaquim Gomes: “Se alguém se apresenta no alto da Torre com mais de três minutos de vantagem e assume a liderança da classificação, irá reduzir muito as probabilidades competitivas nas etapas que restam”.

A oitava etapa é mais uma de transição e descanso para o pelotão. Os 170 km entre Oliveiras (do Hospital e do Bairro) servem para os ciclistas se prepararem para o contra-relógio decisivo. O crono de 32 km entre Pedrogão e Leiria servirá para apurar o vencedor desta 72ª edição da Volta, mas não apresenta muitas dificuldades aos corredores: “Este será um contra-relógio praticamente plano, com poucas elevações, em que os especialistas nesta matéria não terão necessidade de tirar muitas vezes as mãos do extensor”, refere Joaquim Gomes.

Alguns anos depois, a Volta a Portugal terá novamente uma etapa de consagração na capital portuguesa. A Avenida da República recebe o final da última etapa da prova, que começa em Sintra e terá 154 km, consagrando o vencedor de mais uma edição da maior prova velocipédica portuguesa.
Entre as equipas participantes, haverá cinco portuguesas (Palmeiras Resort Tavira, Madeinox Boavista, LA Rota dos Móveis, Barbot Siper e CC Loulé) e onze formações estrangeiras, com destaque para a italiana Lampre, a espanhola Xacobeo Galicia e a holandesa Rabobank.

André Cordeiro