Gueifães: Apostar na formação para chegar ao título (fotos)

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O Grupo Desportivo e Cultural de Gueifães teve uma época 2009/2010 em cheio, com a conquista de títulos, presença em finais e objectivos cumpridos tanto na formação como nas equipas seniores.
Na Divisão A1 de Seniores Femininos, a equipa comandada por João Vieira esteve sempre entre os primeiros e por pouco não alcançava a final onde se disputaria o título de campeão. Já na Divisão A2 de Seniores Masculinos, o Gueifães também esteve nos lugares cimeiros e perdeu apenas nas meias-finais, vencendo posteriormente o jogo de 3º e 4º lugares.

Nas camadas jovens, as meninas gueifanenses conseguiram estar nas Fases Finais de três diferentes escalões: juniores, juvenis e iniciadas. É certo que venceram apenas em juniores, mas estas presenças são sempre importantes para a divulgação do clube e do concelho.

O presidente do Gueifães, Américo Silva, está “satisfeito” com os resultados alcançados até porque “só tínhamos definido como objectivo ganhar o Campeonato Nacional de Juniores Femininos”.
Em relação aos seniores, o presidente gueifanense justifica os terceiros lugares como o amadorismo do clube: “No feminino andámos sempre lá em cima e ficámos muito próximos de chegar ao play-off da final. Ainda por cima temos uma equipa muito jovem, totalmente portuguesa. As jogadoras estudam e trabalham, enquanto as outras formações se dedicam exclusivamente a jogar voleibol. Assim torna-se muito difícil. Daí termos uma boa formação para que não tenhamos que ir buscar jogadoras ao estrangeiro, até porque não há dinheiro”.

Américo Silva realça também o trabalho na formação feminina do clube: “Não há melhor que o Gueifães a nível de formação em Portugal e a prova está nas três finais nacionais em que estivemos presentes. Isto é importante para a evolução das equipas e atletas. Somos também uma das principais municiadoras das selecções nacionais jovens e a prova está no facto de termos alguma juvenis que vão à selecção de juniores”.
O líder da formação gueifanense afirma que a formação masculina “não é tão forte” e culpa a falta de espaço: “Não temos espaço para treinar tanta gente. Por isso até já temos falhas em alguns escalões o que provoca dificuldades para reforçar os seniores masculinos. Ainda assim lutámos pelo campeonato da divisão A2 até ao fim. Nos Açores há muito investimento em todas as equipas de todas as ilhas. Isso faz com que tenham mais facilidade em contratar jogadores. Mas já temos um projecto que vem desde os miúdos para o masculino também seja forte. É algo que ainda demora alguns anos”.

A boa época do Gueifães provoca sempre algum assédio dos grandes clubes, mas Américo Silva acredita que as condições oferecidas pelo clube às atletas pode fazer a diferença: “É sempre complicado gerir esse assédio, principalmente agora na altura do defeso, porque os clubes começam a aliciar as nossas atletas, sobretudo dos Açores e da Madeira. No entanto, como elas ainda estudam é mais difícil de irem para as ilhas. Mas eles oferecem grandes condições, até a nível financeiro, inclusive a treinadores. Porém, os pais apercebem-se que aqui se faz um grande trabalho e não querem que elas saiam”, garante Américo Silva.
O dirigente do clube maiato insiste na “falta de espaço para tanta gente treinar”, mesmo tendo um espaço exclusivamente para o voleibol: “Temos um pavilhão só para nós, mas há outro espaço que temos dois dia se meio por semana, até porque treinam aqui futsal e andebol, e isso é muito pouco. A quantidade de atletas no nosso clube é grande. Inclusivamente estamos a treinar o mini-vólei na futura sala de musculação, pelo menos enquanto não tiver lá os aparelhos. Quando chegarem teremos que arranjar outra solução”, afirma o presidente do Gueifães.

Futuro

Américo Silva já pensa na próxima época. Tanto nas camadas jovens como na equipa feminina não haverá alterações significativas, mantendo-se o técnico João Vieira e quase todo o plantel, entrando apenas mais três juniores. Já a equipa masculina não está tão bem definida: “Ainda não sabemos se termos uma formação competitiva. Para já quase de certeza que o professor José Seco fica, mas o professor Tó ainda não sabemos. Há ainda a questão de três atletas que receberam propostas do Vitória de Guimarães, que está na Divisão A1. São propostas aliciantes e de uma equipa que está na principal divisão do voleibol português que até luta pelo título. Além disso é o sonho deles, jogar na A1”.

Américo Silva também já tem objectivos definidos para a nova temporada 2010/2011: “O ano passado só metas para as juniores, depois fomos surpreendidos pelo bom desempenho de outros escalões. Este ano estamos a fazer o mesmo. Queremos revalidar o título de juniores porque temos uma excelente equipa. Quanto ao resto será complicado repetir as finais de juvenis e iniciadas, depende muito do trabalho. Nos seniores queremos chegar à final do feminino. Já fomos quarto e terceiro nas últimas duas épocas, agora queremos lutar até à final do campeonato. No masculino ainda é complicado porque existe alguma indefinição. Queremos lutar pelos seis primeiros lugares, depois logo se vê”, diz o presidente do Gueifães
Américo Silva acaba o mandato brevemente, mas já é dado adquirido que se recandidatará: “O fim do mandato está para breve. Vai haver uma recandidatura. Aqui toda a gente tem um papel importante e tarefas bem definidas. É dentro desse espírito que o clube tem tido sucesso. Entre os nossos projectos está o relançamento das actividades de ocupação do tempo dos pais enquanto esperam pelos filhos, como aeróbica ou dança. O objectivo também é que as pessoas se sintam bem no Gueifães. Isso tem trazido mais sócios ao clube”.

O presidente gueifanense refere que “ a entreajuda é a chave do sucesso” mesmo nos momentos mais difíceis: “Com tantas equipas, só assim conseguimos resolver a questão das deslocações. Quando vamos aos nacionais temos a ajuda da Câmara Municipal da Maia, que tem sido incansável no apoio ao Gueifães e tem tornado este projecto viável. Mas noutras alturas são os pais que ajudam. Aqui todos têm direito à opinião e sugestão. Nós queremos é que as pessoas se sintam bem aqui”, finaliza o Américo Silva.

André Cordeiro