Marco Chagas: O “Rei” da Volta

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Há nomes que marcam as 72 edições da Volta a Portugal. Alves Barbosa, Joaquim Agostinho, Joaquim Gomes ou Orlando Rodrigues são alguns deles. No entanto, há um que marcou a história da maior prova velocípedica portuguesa. Falamos claro de Marco Chagas que, com quatro vitórias, detém o recorde de maior número de triunfos na Volta a Portugal em Bicicleta. Um recorde que pode ser batido pelo espanhol David Blanco nesta 72ª edição.

O agora comentador televisivo de ciclismo não se mostra preocupado com a perda desse recorde até porque “os recordes existem para ser batidos”. Ainda assim Marco Chagas está na expectativa: “O recorde já durou 26 anos. Se durasse outros tantos as pessoas continuavam a falar nisso. Até agora só dois ciclistas tinham ganho a Volta por três vezes. O David juntou-se a esse grupo e pode igualar as minhas quatro vitórias. Vamos esperar para ver o que acontece”, diz Marco Chagas.

O antigo ciclista está retirado há 20 anos e afirma não ver “com qualquer nostalgia” a Volta a Portugal, bem pelo contrário: “Na altura foi uma decisão natural deixar de correr. Sei bem o difícil que é treinar todos os dias, o sofrimento que passam os ciclistas e a vida que é preciso ter no dia-a-dia. Gosto de acompanhar, claro, mas só isso”.

Os tempos mudam e o ciclismo também. Apesar disso, Marco Chagas diz que “quem era ciclistas há 50 anos também o seria agora e quem é agora também o seria há 50 anos”. Ainda assim as mudanças são muitas: “A Volta agora é mais curta mas continua a ser difícil. Há algumas diferenças na qualidade das estradas, nos equipamentos e sobretudo das bicicletas”, refere o ex-ciclista.

Chagas elege David Blanco como “o principal favorito”, mas não o único: “É preciso ter atenção ao Sérgio Pardilla e até ao Santi Perez. É pena não termos portugueses entre os grandes candidatos. O Cândido é sempre o nome apontado, mas não creio que seja possível. Ele é um grande ciclista, que anda bem em qualquer terreno, um finalizador nato. Mas claro, depois pesa-lhe um bocado a subir as grandes montanhas”, afirma Marco Chagas.

André Cordeiro / Ângelo Jorge