“Neste momento, já estamos a fazer uma época acima do que era esperado”

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Satisfeito pelos resultados e pela prestação da equipa, o treinador do Pedrouços continua a ter os pés assentes na terra e mantém a manutenção como o objectivo central desta temporada. Manuel Pinheiro faz as contas e diz que, para assegurar a tranquilidade, o clube terá de juntar 44 pontos. Depois, os objectivos poderão mudar.

PRIMEIRA MAO – Agora que estão decorridas 17 jornadas, como é que analisa o comportamento da equipa do Pedrouços até agora?

MANUEL PINHEIRO – O nosso desempenho, até ao momento, é positivo. Os objectivos que tínhamos inicialmente passavam por alcançar a manutenção e fazer uma época tranquila, e estão a ser conseguidos. Como é evidente, na situação em que nos encontramos, as pessoas começam a ficar alteradas e a pensar noutros voos. Não vamos pensar em mais nada, enquanto não conseguirmos a manutenção, porque esse é o primeiro objectivo que qualquer equipa deve ter. Mas, até ao momento, considero bastante positivo o desempenho de toda a equipa.

Ouça a declaração de Manuel Pinheiro e continue a ler a entrevista:

[audio:Manuel_Pinheiro.mp3]

Está a correr como esperava ou melhor?

Está a correr dentro daquilo que era esperado. Tive consciência disso a partir do momento em que foram reunidos os meios e dadas as condições para construir um bom plantel, juntamente com a direcção. Conseguirmos ir buscar os jogadores que queríamos, que estavam referenciados, foi criado um grupo que considero ter muita qualidade. Um grupo forte, de bons jogadores e de bons homens. Estão reunidas as condições para fazermos uma época acima das expectativas. Neste momento, já estamos a fazer uma época acima do que era esperado.

Pelas suas contas, quanto é que falta para chegar à manutenção?

Há vários factores a ter em linha de conta. Há seis equipas que, neste momento, estão abaixo da linha de água. Entre o último que desce, que neste caso é o Avintes e o Rio de Moinhos, que é o primeiro que está acima da linha de água, são sete pontos de diferença. Começa a criar-se um fosso, de qualquer das formas, e pelo que me tenho apercebido, as equipas estão a apetrechar-se de novos jogadores. Vai ser, de certa forma, uma incógnita o que se vai passar na segunda volta. Matematicamente, nenhuma equipa desceu de divisão. Mas está a começar a criar-se um fosso entre essas seis. Depois, há umas sete, oito equipas que estão muito juntas, onde estão o Nogueirense e o Pedras Rubras – qualquer uma delas ainda se pode juntar ao sexteto da frente. E depois, há as da frente que estão separadas por poucos pontos. Nós, neste momento, estamos em terceiro, separados três pontos do primeiro classificado. Está tudo muito junto. Perspectivo que vai ser uma segunda volta muito competitiva, como tem sido este campeonato de uma maneira geral. Não vejo nenhuma equipa com possibilidades de vencer sempre, de uma forma regular, como se passou noutros anos, em que o Nogueirense e o Padroense se distanciaram literalmente dos outros adversários. O ano passado o mesmo se passou com o Coimbrões e o Alpendurada. Não vejo nenhuma equipa capaz de fazer a diferença e de fugir de todas as outras. Julgo que vai ser competitivo até ao final. Aquelas que conseguirem ser mais regulares, são as que conseguirão subir de divisão e fazer o melhor campeonato. Mas para alcançar a manutenção com tranquilidade, penso que menos de 44, 46 pontos, ninguém pode ter. A partir daí, se for possível algo mais, vamos ver. São 38 jornadas e ainda só passaram 17.

Daquilo que já viu, nesta temporada, quem é que aponta como potenciais favoritos ao primeiro e ao segundo lugar da tabela?

Os primeiros seis classificados. Haverá um ou outro caso, como o Grijó, que até ao segundo terço da primeira volta fez um bom campeonato, e agora, há quatro ou cinco jogos que não consegue vencer e com goleadas pelo meio que ninguém esperava. O caso do Candal, que vai em primeiro lugar, é uma equipa extremamente experiente. Não me parece que tenham muita quantidade em termos de qualidade. Têm qualidade 11 ou 12 jogadores. Tem o Sousense que é uma equipa pura distrital, extremamente combativa, com jogadores bem constituídos, com dois ou três jogadores que fazem a diferença. O caso do Pedrouços, equipa que eu formei, está rodeada de jogadores capazes de fazer a diferença e com um plantel de 14, 15 jogadores em que qualquer um pode jogar ao domingo de o início, que é o que tem acontecido. Depois, temos o Rio Tinto que é também uma boa equipa, o Valonguense e o Ataense. Destas seis equipas, qualquer uma delas pode subir de divisão. Não vejo mais nenhuma equipa capaz de se juntar à luta destas seis equipas.

As próximas duas jornadas são muito importantes para a classificação. Esta semana temos o Pedrouços – Arcozelo, um jogo difícil. É uma equipa que conheço bem, com um treinador que normalmente põe a equipa a jogar bem e organizada. Temos o Candal – Valonguense e o Ataense – Perosinho, em que à partida não haverá grande dificuldade. Depois, na última jornada da primeira volta, vamos ao Pedras Rubras, um derby maiato que é sempre um jogo muito difícil. Temos ainda o Ataense – Candal e o Rio Tinto – Sousense. São equipas dos seis primeiros em que quatro ou cinco têm jogos muito difíceis. Estou convencido que as equipas que vão subir de divisão são duas destas seis equipas.

Em termos do grupo, o Pedrouços vai sofrer alguma alteração?

Não. Tivemos a introdução de um novo elemento na passada semana, o Luisão. Tirando isso, o plantel do Pedrouços está fechado até ao final. Não há possibilidades de ir buscar mais ninguém nem há vontade da nossa parte, porque estamos satisfeitos com o grupo de trabalho que temos, e é este que queremos que continue até ao final.

Falou da existência de alguma ansiedade, tendo em conta a prestação da equipa, e de estar nos lugares cimeiros da tabela classificativa. Acha que essa ansiedade que pode transpirar das bancadas e dos adeptos para o interior pode ser prejudicial ou benéfica?

É sempre benéfico e é muito melhor termos a pressão de vencer por andarmos nos primeiros lugares do que ter a pressão de vencer para não descer de divisão. Os jogadores, de uma forma geral, são experientes, alguns deles já passaram por clubes que subiram de divisão, os jogadores que transitaram da época passada também são jogadores experientes. Estamos conscientes do valor que temos, e que somos uma das três melhores desta divisão. Mas também temos consciência de que não há jogos fáceis. E a prová-lo está o último confronto que tivemos com o último classificado que nos conseguiu criar mais dificuldades que outras equipas que estão mais bem classificadas que o Bougadense. Portanto, não há jogos fáceis, e não podemos facilitar. Estamos conscientes destes dois factores que são importantíssimos: do nosso valor, mas também estamos conscientes da dificuldades que vamos encontrar ao longo da época e de outras equipas que possamos defrontar que também têm o seu valor e que vão tornar-se sempre jogos difíceis, quer para nós quer para o nosso adversário.