Nuno Moreira vai colecionando medalhas de ouro no Karaté

0
431
- Publicidade -

Nuno Moreira, do Clube de Karaté da Maia, tem vindo a conquistar medalhas de ouro pelos campeonatos por onde passa, como foram os casos do Open de Lisboa, no início do mês, bem como a Copa de Espanha, um mês antes. Nesta entrevista, o atleta fala-nos das dificuldades em seguir a carreira profissional na modalidade e das muitas vantagens de praticar uma atividade que o conduz ao bem-estar.

Como se sente após a conquista da Copa Internacional de Espanha, uma vez que foi a primeira vez que um português conquistou o Ouro nesta competição?

Sem dúvida um sentimento muito especial, este convite é feito diretamente às seleções nacionais, entretanto a nossa federação passa por graves problemas impossibilitando a participação dos atletas. Felizmente, e graças ao excelente relacionamento que existe com a vizinha Espanha e restantes países, consegui que me convidassem a participar e aí o CK Maia não hesitou na ajuda para que tudo corresse da melhor maneira, garantido a participação portuguesa e maiata.

O objetivo principal era continuar o bom início de época que tive e manter o trabalho técnico-tático a que me propus para o evento. A cada eliminatória parecia tudo mais fácil e a condição física foi fundamental para o desenrolar das eliminatórias, desde já agradeço ao ginásio Maiafit e em especial aos treinadores Gabriel Faleiro e Diogo que tratam da minha preparação física neste espaço fantástico para treino e recuperação.

 
Este mês está noutra prova também internacional? Que espetativas?
 

Neste momento estou num grande projeto de karaté com regras diferentes, que terá início em janeiro, a primeira deslocação será a Budapeste para realizar testes e promoção e de seguida irei para a Copa de França, na qual já medalhei de bronze por três vezes.

Um evento de grande qualidade e enorme dificuldade, mas terei que analisar a minha condição física, visto que os dias que antecedem vão ser demasiado desgastantes… vários atletas fazem a preparação para as provas de acesso aos olímpicos e querem a todo o custo realizar bons combates e participar nos eventos que permitem corrigir e melhorar na componente específica, daí a necessidade de participar em eventos como este onde se encontram atletas de, Inglaterra, França, Argélia, Marrocos, Egito, Hungria, Azerbaijão entre outros.

Neste momento, dedica-se a tempo inteiro ao Desporto? Como analisa o ponto a que chegou na sua carreira?
 

A verdade é que sou um atleta profissional do desporto, mas sem receber nada por isso, a minha vida é feita diariamente de treino físico no ginásio Maiafit, na parte da manhã, e treino específico no Clube de karaté da Maia, à noite, pelo meio tenho ainda muitas escolas onde leciono as aulas de karaté e passo esta aprendizagem aos mais novos com projetos lúdicos, de desenvolvimento da modalidade e também aos mais crescidos, uns no caminho desportivo e alta competição e outros no caminho tradicional com a competição da vida diária, que às vezes é bem complicada.

É difícil, mas sou feliz por partilhar todos os momentos com os que rodeiam e fazer todos os dias o que realmente gosto…
 

Em geral,  os atletas sentem dificuldades para se conseguirem fazer representar em provas internacionais suportando muitas vezes os custos daí resultantes. Para os atletas maiatos com o apoio do CK Maia, essa situação tem sido minimizada o mais possível?

 
A verdade é que é muito difícil representar sem suporte financeiro, eu posso garantir que a maior parte das despesas são pagas por mim, o CK Maia ajuda no que pode, mas a verdade é que somos muitos e com qualidade e, como é óbvio, eu sou o primeiro a não pedir nada, porque quero que os mais novos possam usufruir para mais tarde continuarem este caminho que tenho seguido.

As despesas são muitas, porque semanalmente tenho que me ausentar do país, falamos de uma competição onde muitos atletas ganham milhares de euros, mensalmente, para competir ou então são colocados em atividades camarárias ou do Estado, por exemplo polícias municipais, trabalham no exército, ou então recebem apenas verbas que lhes permitem viver representando ao mais alto nível a sua Câmara e país.

Já eu tenho que contar todos os tostões para ver se é possível participar… a carteira rapidamente fica vazia, mas espero que um dia mais tarde as coisas possam ser diferentes e, quem sabe, eu possa competir com tranquilidade sem pensar que possivelmente na semana seguinte não poderei participar nas premier leagues por falta de verbas.

Quais são os principais patamares de desafios a ultrapassar, quando se quer orientar uma carreira desportiva no karaté ou outras artes marciais, tendo em conta que têm que rivalizar com apoios dados a outras mais mediáticas?

Como é natural, existem modalidades que dominam o desporto e movem multidões, desse modo não existem tantas dificuldades para pagar aos seus jogadores e atletas, mas certo que se os média fizessem como o Primeira Mão, o desporto estaria melhor, haveria mais reconhecimento e mais apoio com pessoas que estariam interessadas em ajudar estes mini profissionais que fazem de tudo para representar o desporto, o país e o concelho.

 
As artes marciais em geral devem ser encaradas a um nível superior ao da simples competição? Devem ser olhadas como uma prática para a felicidade?

As artes marciais, no meu caso e de todos os que treinam comigo, são o caminho para o bem estar e para a alegria, eu treino diariamente e em nenhum momento me sinto triste, desanimado ou sozinho, porque é um local onde podemos trabalhar desfrutando da companhia de um grupo, de uma família que está disposta ajudar e lutar ao nosso lado para conquistar a felicidade. 

As artes marciais são muito mais que uma competição, são a união, a partilha e a responsável por nos transportar para um lugar distante dos problemas, fazem de nós pessoas melhores ao nível pessoal e intelectual…

Obrigado ao Primeira Mão por todo o trabalho que tem realizado nomeadamente para o desporto e as artes marciais.

- Publicidade -