São cada vez mais os que querem praticar ténis na Maia

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A Escola de Ténis da Maia foi criada em 1991 pela Câmara Municipal da Maia e admitida na Associação de Ténis do Porto em Janeiro de 1992. Durante alguns anos, teve pouco mais de 80 alunos. Só nos últimos quatro anos registou um “crescimento acelerado”, possuindo actualmente, cerca de 450 alunos e oito professores. É provavelmente a escola do país com maior número de praticantes, ao nível do ténis. Só nos escalões de formação é frequentada por jovens dos 5 aos 20 anos de idade. “Explana aquilo que é a nossa missão, que é disponibilizar instalações e proporcionar a prática desportiva ao maior número de munícipes, acompanhada de um quadro de técnicos credenciados”, sublinha o vereador do desporto, Hernâni Ribeiro. Para além do escalão de formação, há a registar também um número elevado de adultos que utilizam os courts de ténis, cerca de 180.

Dotada de um complexo com oito courts, dois dos quais descobertos, o espaço físico começa a ser insuficiente para dar resposta a todos os que procuram a escola de ténis. “O número de alunos que tem esgota por completo as condições físicas da escola”, admite Hernâni Ribeiro, que dá conta de uma longa de lista de espera, quer na formação quer na classe de adultos. “Para crescer mais, só com mais courts”, diz. Durante os dias de chuva, a escola fica com menos duas quadras disponíveis, as descobertas, que nos dias de chuva ficam alagadas.

A intervenção prevista para a área central desportiva do concelho, inserida no projecto Praça Maior, contempla a construção de quatro courts de ténis cobertos, com o objectivo de “dar condições para que a escola continue a crescer e possa ter ainda mais alunos”.

No entanto, o impasse no processo de desenvolvimento do projecto Praça Maior, por razões financeiras, torna impossível avançar com qualquer previsão para a construção das novas quadras.

Com preços bem mais acessíveis aos praticados por outras escolas da modalidade, a Escola de Ténis da Maia consegue ser auto-suficiente, em termos financeiros. De acordo com o vereador do desporto, as receitas provenientes das mensalidades dos utentes são suficientes para pagar os salários dos técnicos e restantes funcionários, assim como as despesas correntes de água e luz. Todas as outras despesas, como intervenções de fundo ao nível da manutenção do complexo de ténis, saem do orçamento da câmara municipal. “Tem sido de tal forma bem gerida e dimensionada, que as receitas cobrem as despesas, o que é muito bom, tendo em conta os preços praticados, que são mais acessíveis”. Para além disso, os residentes na Maia têm direito a um desconto de 20 por cento. Acresce ainda um desconto de 20 por cento nos jovens até aos 14 anos e praticantes a partir de 60 anos. Ou seja, os descontos na mensalidade podem chegar aos 40 por cento, tratando-se de jovens com idade até aos 14 anos ou adultos com mais de 60 anos, desde que residam na Maia.

Competição deve ser o “passo” seguinte

João Maio está na Escola de Ténis da Maia há seis anos. É professor e director técnico da escola. Quando assumiu este novo desafio, tinha como missão, “aumentar o número de praticantes e trazer uma boa formação a todos os alunos. Acho que isso foi conseguido”.

A escola possibilita aos jovens praticantes, a oportunidade de competirem em torneios de ténis um pouco por todo o país, e mesmo fora do território nacional. Por exemplo, no dia da reportagem do PRIMEIRA MÃO, Nuno Borges, actual nº1 do ranking nacional em sub 14, e um dos tenistas presentes no torneio Maia Jovem 2011, encontrava-se a participar numa competição nos Açores, e cinco tenistas sub 12 estavam num torneio internacional em Guimarães. “Estamos numa fase em que a escola está a funcionar muito bem na fase de formação. Temos de dar um salto para a parte competitiva, porque estes miúdos já exigem mais treinos e acompanhamento a torneios tanto nacionais como internacionais”, defende João Maio. Uma maior aposta na competição deverá ser o “passo” seguinte, diz aquele responsável. “É uma responsabilidade que a escola de ténis e o ténis da Maia vai ter que assumir, porque não faz sentido que nós façamos uma boa formação na Maia, e depois os jogadores terem de ir para o Porto ou outro lado qualquer para poderem ter um programa competitivo”, alega o director técnico da Escola de Ténis da Maia. O ideal seria criar uma espécie de centro de alto rendimento, onde fosse possível “criar” tenistas de alta competição.

Para isso, era fundamental a construção de mais quadras de ténis, “porque o complexo está a abarrotar”, alerta João Maio. Diariamente, são 200 a 250 os alunos que treinam no complexo, excluindo os utentes que alugam as quadras, cujo número rondará também as duas centenas/dia. “Precisávamos urgentemente de mais quatro courts de ténis cobertos”, diz.

Um desporto que não é para qualquer um

Nem por estar de férias da Páscoa, Rui Silva deixou de comparecer ao treino. Pelo contrário, é nestas alturas que aproveita para treinar mais. Tem 16 anos e já participou no Maia Jovem há dois anos.

Está desde os 8 anos na Escola de Ténis da Maia, mas já pratica a modalidade desde os 6 anos. Deu os seus primeiros passos no ténis, em Guimarães, onde vivia. O gosto por esta prática desportiva vem de família. “O meu pai jogava ténis. Levava-me e ao meu irmão a vê-lo jogar com o meu tio. Começamos a gostar do ténis e entramos”, recorda.

Sempre que pode, tenta participar em torneios, mas nesta altura a sua principal prioridade é a escola. O ténis é, nesta fase, uma actividade de lazer, mas que obriga ao cumprimento dos treinos, para se manter em forma e aperfeiçoar a técnica. “É uma modalidade muito dura. É preciso ter muita força de vontade, treinar todos os dias e muitas horas”, garante Rui Silva. Para além disso, exige um grande nível de concentração. “Temos de nos abstrair da pressão e concentrar-nos no jogo. Às vezes é o que faz a diferença entre os bons e os maus jogadores”, explica.

Quanto a um possível futuro como tenista profissional, diz que ainda está “indeciso”. “Estou à espera de ver o que é que o ténis me pode dar. Para já, a escola está em primeiro lugar, porque é um risco muito grande apostar só no ténis”.

Julien Sionnet descobriu o ténis mais tarde. Aos 10 anos. Hoje tem 18, e está há dois na Escola de Ténis da Maia. Confessa que gostava de ser profissional, “mas em Portugal não é possível”. Por isso, “quero tentar ser um bom treinador, abrir o meu próprio clube, singrar no ténis, mas não a nível profissional”, revela. Vive em Vila do Conde, e todos os dias vem à Maia para treinar, “porque tem melhores condições e melhores treinadores”. Para conseguir fazer treinos diários de duas e três horas, optou por fazer apenas metade das “cadeiras” do curso que está a frequentar no Instituto Superior da Maia. Casa-Ismai-treino-casa. É esta a rotina diária de Julien Sionnet.

Para além de ser um desporto que implica muito empenho, obriga ainda a um investimento que não está ao alcance de todos. Um conjunto de raquetes pode chegar aos 200 euros, 50 euros um saco e 100 euros umas sapatilhas. Depois, há ainda que contar com a manutenção das cordas das raquetes, que também envolvem alguns custos.

Fernanda Alves