ANAREC com nova direcção para “recuperar credibilidade”

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Virgílio Constantino é o novo presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC). O empresário foi eleito no sábado pelos revendedores de combustíveis nacionais e vai liderar a associação nos próximos três anos, deixando pelo caminho o anterior presidente, Augusto Cymbron. Da sua lista faz parte um empresário da Maia. António Hora é vogal no conselho fiscal. O empresário concorreu, assegurando desta forma a representação da região na associação.

Sob o lema “ANAREC: recuperar a credibilidade, servir os associados”, Virgílio Constantino tem como principais objectivos recuperar a credibilidade da ANAREC junto da opinião pública, muito posta em causa no decorrer do anterior mandato, e aproximar os associados dos órgãos directivos.

Entre os assuntos que vão estar em destaque no próximo biénio, está o preço dos combustíveis e derivados, a segurança nos postos de abastecimento de combustíveis, bem como a necessidade de travar a crescente taxa de desemprego no sector e de apoiar os revendedores dos postos de combustível fronteiriços. Manifestando grandes preocupações com o que mais afecta os revendedores de combustíveis, Virgílio Constantino, cuja empresa é associada da ANAREC desde 1977, promete fazer do tema carga fiscal sobre o preço dos combustíveis o ponto central do seu mandato.

E foi o projecto apresentado por Virgílio Constantino que convenceu o empresário da Maia, António Hora. Já esteve na ANAREC há seis anos e agora regressou com o presidente da direcção eleito, que também esteve consigo no conselho fiscal. “Há meia dúzia de elementos que já fizeram parte da associação há seis anos”, conta.

O empresário de combustíveis da Maia reconhece que a actual direcção não vai ter uma tarefa fácil pela frente porque nos pontos considerados “fundamentais” a última direcção “nada fez”. “O país está a atravessar uma crise grande nos combustíveis e a direcção nada fez para inverter a situação”.

A título de exemplo aponta as margens comerciais que diz estarem “completamente desajustadas” do mercado. A diferença dos impostos sobre os combustíveis em Portugal e Espanha é outra das questões que preocupa os empresários do sector. “São de uma diferença maluca e há que tentar um equilíbrio para que haja uma redução significativa para nós possamos concorrer com os espanhóis porque senão, os postos fronteiriços já estão numa situação aflitiva”, justifica António Hora. Acrescenta ainda que o problema já começa a fazer-se sentir em outros postos de abastecimento porque os camiões só metem o gasóleo suficiente para chegar à fronteira. Depois, “abastecem em Espanha”.

Outra área em que o vogal do conselho fiscal reconhece que é preciso intervir prende-se com os postos particulares que estão em muitas empresas, como por exemplo, “na zona industrial da Maia”. “É uma proliferação maluca e a grande maioria deles não estão sequer legalizados e o ambiente acaba também por pagar por isso”, denuncia.

E como se não fosse suficiente, adianta o empresário, as autarquias ainda permitem que os hipermercados coloquem postos de combustíveis em qualquer sítio, “sem regras, sem nada”. Neste caso, António Hora aproveita para alertar o consumidor de que o combustível não é o mesmo que está à venda nos postos de rua. “Não há aditivos, é só um produto base e eles podem pôr preços ao público com os quais nós não podemos competir”. O carro acaba por fazer menos quilómetros mas, hoje em dia, “as pessoas estão mais preocupadas com o preço”, adverte.

António Hora garante que esta nova direcção está empenha em trabalhar e com “total transparência”. Uma coisa é certa, “vai lutar a sério para conseguir aquilo que pretende alterar”. “Com esta direcção acredito que sim e já a curto prazo”, garante.

Virgílio Constantino contou com o apoio de empresários da área dos combustíveis de Norte a Sul do país A sua lista venceu com 219 votos, 75 por cento dos votos, contra os 76 votos a favor da lista B. No total registaram-se 301 votos. A tomada de posse dos novos órgãos sociais ainda não está marcada.

Isabel Fernandes Moreira