Autocarros turísticos que reforçaram transportes podem voltar em abril. No Grande Porto não chegaram a ser usados.

0
163
imagem aeiou

Áreas metropolitanas de Lisboa e Porto pretendiam evitar que comboios e metro circulassem com mais de dois terços da lotação. Teletrabalho ditou baixa procura.

No regresso às aulas, em setembro, sucederam-se as imagens de comboios e metros a abarrotar, em plena pandemia. Nas horas de ponta de manhã e tarde, os transportes circulavam no limite dos dois terços da lotação. Não sendo possível reforçar a oferta ferroviária em Lisboa e no Porto, as áreas metropolitanas apenas podiam responder à procura com mais autocarros turísticos, mesmo que a viagem demorasse mais tempo.

A medida, contudo, chegou tarde, apontam duas associações que representam as transportadoras: na capital. Com baixa procura, na Invicta, os pesados nem saíram da garagem. O reforço da oferta termina no fim do mês, mas poderá haver nova ronda no início de abril, avança o Dinheiro Vivo.

“Nestes meses que vivemos, entre novembro e final de fevereiro, houve muito menos mobilidade. A medida surgiu no período em que foi menos necessária”, admite ao Dinheiro Vivo o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP), Luís Cabaço Martins. “Faltou um mecanismo que canalizasse as pessoas para o transporte alternativo”, lamenta o líder da Associação Rodoviária de Pesados (ARP), José Luís Carreira.

O programa de reforço de oferta foi anunciado a 4 de novembro e implicava um investimento do Fundo Ambiental de 1,5 milhões, usado a meias por Lisboa e Porto. Havia pelo menos 500 autocarros de aluguer disponíveis do lado da ANTROP: 300 na capital e 200 na área metropolitana da Invicta. A ARP tinha ainda umas centenas de pesados, junto dos seus associados, mais dedicados a excursões.

A Área Metropolitana de Lisboa confirma que foram utilizados os 750 mil euros de financiamento.

No Porto, os autocarros de turismo nem saíram da garagem. “Em novembro, estava em execução um plano de reforço de oferta dos serviços da STCP, financiado pelos municípios onde opera, com recurso à subcontratação de operadores privados para manter nível de oferta de transporte público consentâneo com as medidas de prevenção da propagação da pandemia”, refere o primeiro secretário da AM Porto, Mário Rui Soares.

A transportadora rodoviária municipal contratou os serviços de quatro linhas dentro do concelho do Porto a três privadas – Maia Transportes, Espírito Santo e VALPI – que têm autocarros com a tipologia de serviço público.

Dessa forma, a STCP libertou alguma da frota para reforçar seis linhas nos concelhos de Gaia, Porto, Gondomar, Maia, Matosinhos e Valongo.

As associações dizem que as autoridades do Porto queriam que se instalasse validadores nos autocarros de turismo. “Não faz sentido”, entende Luís Cabaço Martins.

Os 750 mil euros reservados para o Porto ficaram por usar. A AMP assegura que “a verba continua disponível para planos de reforço da oferta em função das necessidades da procura que venham a verificar-se após o confinamento”. Ou seja, depois da Páscoa.

As transportadoras rodoviárias estão preparadas para voltar a fornecer autocarros turísticos num eventual reforço da oferta. São necessárias, porém, mudanças: “Mais informação nas estações ferroviárias e alterações nas paragens”, sugere a ANTROP.