Cerca de 35% dos empregos podem ser realizados em teletrabalho

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Debate sobre futuro do trabalho

TECMAIA e LISPOLIS juntaram-se para abordar o “Futuro do Trabalho” numa conversa que juntou empresas dos dois Parques de Ciência e Tecnologia.
 
Numa associação inédita, o TECMAIA – Parque de Ciência e Tecnologia da Maia e o LISPOLIS – Polo Tecnológico de Lisboa, promoveram, no dia 17, um espaço de reflexão, em formato de reunião digital, que tentou abordar desafios e perspetivas sobre o futuro do trabalho e a organização de empresas e profissionais.

Com moderação dos dois parques, a conversa contou com a participação especial de Francisco Almada Lobo, CEO da Critical Manufacturing – empresa instalada no TECMAIA, e André Carvalho, co-CEO da Tangível.
 
Para Francisco Almada Lobo, “as empresas de IT estavam naturalmente melhor preparadas para esta nova realidade porque conhecem bem as ferramentas digitais necessárias para um eficaz trabalho remoto e porque ligam, sobretudo, com bens intangíveis”.

Já André Carvalho apelou à memória dos participantes sobre o célebre Pepsi Challenge na medida em que “também aqui fomos obrigados a experimentar às cegas se o teletrabalho é melhor, ou pior, que o presencial.” O co-CEO da Tangível deixou ainda nota que, devido à panóplia de clientes desta consulta, têm noção que “outras empresas para lá das de IT tiveram imensas dificuldades nesta transição porque não tinham hardware e espírito de colaboração à distância presente na cultura interna e isso leva-me a concluir que tem sido mais complexa a adaptação humana que a tecnológica.”
 
Recheada de participação das várias dezenas de pessoas que se juntaram ao momento, muitas foram as questões colocadas sobre um cenário que podemos e devemos construir para que haja um verdadeiro aproveitamento positivo desta crise histórica. Para isto, os dois oradores apontaram vantagens como a redução de tempo despendido em deslocações, a melhoria de indicadores de produtividade e ainda uma notória redução de pressão da hierarquia.

Por outro lado, processos de acolhimento e integração de novos colaboradores tem sido um enorme desafio porque, opinião unânime, a convivência física é fundamental para um melhor envolvimento.
 
Quanto à grande questão de associar o trabalho remoto ao presencial, o CEO da Critical Manufacturing considera que “é difícil, neste momento, perceber qual o ponto de equilíbrio porque o que trazíamos de trás, do trabalho presencial, foi fundamental para que esta atual realidade pudesse funcionar” e adianta mesmo que “o espaço físico da empresa é sempre necessário, mas o mix também não vai desaparecer.”

Já André Carvalho vê nos espaços de Cowork uma tendência crescente porque “estes podem ser uma solução para o colaborador que não vem à empresa, mas precisa de um espaço de concentração perto de sua casa”.
 
Para terminar, André Carvalho trouxe nota de vários estudos de impacto empresarial com relação à pandemia da COVID-19 e, especialmente, deixou indicação que “calcula-se que em Portugal cerca de 35% dos empregos possam ser realizados em teletrabalho e neste momento está já quebrado o tabu de que esta forma de organização é possível mantendo-se, e até aumentando-se, a produtividade”.

A conversa encerrou com a indicação das competências-chave que, para estes líderes, são essenciais, hoje, para qualquer profissional: capacidade de comunicação, autonomia e fácil utilização de ferramentas colaborativas.