Emprego no Norte em queda, com novo mínimo histórico

0
211

“No 3º trimestre de 2010, voltou a atenuar-se a tendência negativa do emprego na Região do Norte. Face ao trimestre homólogo do ano anterior, o número de empregados residentes na Região do Norte registou uma queda de 0,4% (equivalente a menos sete mil indivíduos empregados). No trimestre anterior, a variação homóloga tinha sido de – 0,9%. A taxa de emprego (dos 15 aos 64 anos) atingiu novo mínimo histórico, fixando-se em 63,0%”.
O relatório de conjuntura divulgado hoje pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, relativo ao terceiro trimestre deste ano, não deixa dúvidas. A taxa de desemprego na região Norte “atingiu novo máximo histórico”, subindo para os 13,2 por cento. Esta é uma das frases chave das 18 páginas do documento e surge como a mais relevante, por mostrar uma tendência que tarda em ser contrariada na região.

Este agravamento, classificado como “súbito”, foi sentido sobretudo entre as mulheres, cuja taxa de desemprego chegou a 16,3% e os jovens, com 24,6%. No caso das mulheres, a subida da taxa de desemprego foi de 1,9 pontos percentuais face ao segundo semestre e de 2,9 relativamente ao período homólogo de 2009. Nos homens, as variações foram inferiores.

Entretanto, o diferencial entre as taxas de desemprego feminino e masculino registadas, 16,3% e 10,5%, respectivamente, é agora maior do que alguma vez tinha sido registado, realça o mesmo documento. O aumento da taxa de desemprego no Norte abrange todos os níveis de instrução.
Este desemprego registado desacelerou face ao trimestre anterior (estava em 13,4%), com reflexos na distribuição por concelhos, verificando-se crescimentos mais acentuados em Trás-os-Montes, Minho Litoral e Vale do Sousa e alguma recuperação no Vale do Ave. Dos concelhos do Norte com mais de cinco mil desempregados, apenas Gaia (+12,0%), Santa Maria da Feira (+13,6%) e Barcelos (+13,8%) registaram no terceiro trimestre crescimentos do desemprego acima de 10% em termos homólogos.

Já o salário médio praticado na Região do Norte, no mesmo período, correspondente a 716 euros, observou uma variação real negativa da ordem de 1,3% face ao período homólogo.
No 3º trimestre de 2010, o Produto Interno Bruto português cresceu 1,4 por cento em volume, em termos homólogos (igualando o registo do trimestre anterior), tendo sido impulsionado pela procura externa líquida.

Se é certo que as exportações da região Norte aumentaram, em valor, cerca de 12 por cento, em termos homólogos, no 3º trimestre, com o sector eléctrico a dar o principal contributo para este aumento, não é menos verdade que as importações de bens para a Região do Norte observaram, no terceiro trimestre, um crescimento próximo de 16%, “motivado sobretudo pela compra de inputs destinados à actividade da indústria regional e de bens de capital (excluindo material de transporte).