Governo define Efacec como empresa “estratégica”

0
475
Efacec

O Secretário de Estado da Economia diz que o Governo “adotará todas as medidas necessárias” para proteger a Efacec, empresa detida por Isabel dos Santos e envolvida numa reestruturação acionista. O governante sublinha que a empresa “é estratégica”.

A questão da Efacec foi levada ao debate pelo deputado Jorge Costa, do Bloco de Esquerda. O deputado bloquista aproveitou a audição dos secretários de Estado da Economia a propósito da discussão na especialidade do OE Suplementar para saber se o documento incluía alguma provisão para salvar a empresa de engenharia. 

Na resposta, João Neves, o secretário de Estado Adjunto, não falou diretamente sobre nacionalização. “Devemos olhar para aquilo que é a Efacec no quadro de uma atividade privada (…)”, afirmou.

A empresa tem vindo a reunir-se com o Governo sobre a estrutura acionista e sobre as suas necessidades de financiamento, admitiu o CEO da empresa, Ângelo Ramalho, ao jornal Observador.

Há uma dezena de propostas para aquisição do capital de Isabel dos Santos (67,2%)

A Efacec anunciou, na última sexta-feira, dia 26, ter recebido “cerca de uma dezena” de propostas não vinculativas de grupos industriais e fundos de investimento, nacionais e internacionais, para aquisição dos 67,2% de capital de Isabel dos Santos na empresa.

Numa nota enviada à agência Lusa no último dia do prazo para apresentação de propostas para compra da posição da empresária angolana, o Conselho de Administração da Efacec Power Solutions considera que “o conjunto de propostas rececionadas evidencia o valor económico e estratégico reconhecido à Efacec no panorama nacional e internacional, nos setores da energia, mobilidade e ambiente”.

Segundo refere, no âmbito da alteração da estrutura acionista do grupo Efacec “foram entregues cerca de uma dezena de propostas não vinculativas (‘non-binding’) à Stormharbour, SL”, entidade responsável por assessorar o processo.

“À semelhança das entidades que manifestaram interesse no processo, as propostas não vinculativas foram apresentadas por entidades/investidores com diferentes perfis, nomeadamente grupos industriais e fundos de investimento, quer nacionais, como internacionais”, adianta.

Segundo acrescenta, “segue-se agora o processo de diálogo necessário entre todos os ‘stakeholders’ relevantes para a prossecução do processo de alteração acionista”.

A saída da filha do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, do capital da Efacec acontece na sequência do envolvimento do seu nome no caso ‘Luanda Leaks’, no qual o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou, em 19 de janeiro passado, mais de 715 mil ficheiros que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.

A empresária angolana entrou no capital da Efacec Power Solutions em 2015, após comprar a sua posição aos grupos portugueses José de Mello e Têxtil Manuel Gonçalves, que continuam ainda a ser acionistas da empresa, enfrentando atualmente o grupo sérias dificuldades de financiamento devido à crise acionista que atravessa.

A situação levou já o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras e Energia (Site-Norte) a reclamar, por diversas vezes, a nacionalização da Efacec, de forma a por a empresa “ao serviço do país” e a garantir a manutenção dos mais de 2.500 postos de trabalho.

“Todo o país concorda que a Efacec é uma empresa estratégica, altamente tecnológica e essencial para Portugal. Exigimos que o Governo proceda ao controlo público do grupo Efacec e à sua integração no setor empresarial do Estado”, sustentou o sindicato num comunicado distribuído no dia 22 de junho aos trabalhadores da empresa.