Governo segura a Efacec nacionalizando 71,3% do capital

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Efacec

Governo vai assumir 71,3% da Efacec. Depois desta nacionalização inicial segue-se uma fase de reprivatização, anunciou ministro da Economia.

“Reconhecendo que a Efacec é uma empresa centenária e muito importante para a economia portuguesa, exportadora relevante, e de grandes feitos ao nível da mobilidade elétrica, e diante do impasse acionista, o Governo decidiu nacionalizar 71,3% da Efacec”, anunciou o ministro da Economia, Siza Vieira.
Arranca ainda, de seguida, o processo de reprivatização, sendo que há já muitos interessados, garantiu o ministro, acrescentando que esta é uma tomada de posição temporária, como resposta ao impasse acionista, em muito relacionado com o caso Luanda Leaks.

Luanda Leaks envolve a empresária angolana Isabel dos Santos, mas segundo o ministro esta “é uma empresa viável, que está no mercado, e só precisa de ultrapassar os problemas imediatos de tesouraria”.

Sobre o valor a pagar por esta percentagem, o ministro detalhou que é necessário aguardar por serem identificados os credores da participação de Isabel dos Santos “para então se definir o valor final”.

O ministro da Economia e da Transição Digital garantiu que o Governo contactou, nos últimos meses, com todas as partes, dos bancos aos acionistas, inclusive os representantes de Isabel dos Santos. O que significa que esta decisão só foi tomada porque não existiam outras soluções para o impasse, que assim não só será ultrapassado, como também acresce a liquidez financeira que a empresa precisa neste momento.

A empresária angolana entrou no capital da Efacec Power Solutions em 2015, após comprar a sua posição aos grupos portugueses José de Mello e Têxtil Manuel Gonçalves, que continuam ainda a ser acionistas da empresa.
A situação levou já o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras e Energia (Site-Norte) a reclamar, por diversas vezes, a nacionalização da Efacec, de forma a pôr a empresa “ao serviço do país” e a garantir a manutenção dos mais de 2.500 postos de trabalho.

PCP Porto defende nacionalização definitiva

Já ontem o PCP veio defender a nacionalização definitiva da empresa, contestando a intenção do governo para a sua reprivatização.
Em comunicado, a direção regional do PCP Porto afirma: «O PCP não pode estar de acordo que sejam mobilizados agora milhões de euros de recursos públicos para responder às pressões e exigências dos credores, sobretudo da banca, para mais adiante a voltar a entregar nas mãos do grande capital. Para o PCP, a nacionalização definitiva da EFACEC, resolvendo os problemas de tesouraria, garantindo os direitos dos trabalhadores, integrando-a no Sector Empresarial do Estado e num projeto de desenvolvimento nacional, é a solução que se impõe.»