Insolvências e créditos vencidos continuam a aumentar

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A instabilidade económica do país poderá estar na origem do aumento do número de acções de insolvência no primeiro semestre deste ano. De acordo com um estudo da Coface, só nos primeiros seis meses deste ano foram registadas 3104 acções de insolvência, mais 10,7 por cento em relação ao ano passado (2803).

Já no que se refere às empresas em que foi declarada a insolvência pelo tribunal, verificou-se um aumento de 6,9 por cento, mais 69 do que no primeiro semestre de 2010. A grande maioria do aumento das insolvências, 182 num universo de 301, tiveram por base as declarações de insolvência que aguardavam em tribunal o desenvolvimento dos processos apresentados pelos representantes da própria empresa. No caso das declarações que tiveram origem numa requisição por credores a variação foi muito menor, cerca de 4,8 por cento.

O plano de insolvência, em que os credores aceitaram um projecto de viabilização da empresa, teve uma variação de 6,5 por cento.

Foi nos distritos com maior número de empresas que ocorreram mais insolvências. É o caso do distrito do Porto (23,9 por cento), Lisboa (19,7por cento), Braga (13,6 por cento) e Aveiro (8,8 por cento).
Os números registados no Porto são, sem dúvida, os que mais pesam na balança.
Foram declaradas 223 insolvências, mais 31 que nos primeiros seis meses de 2010. Treze empresas tinham em curso um plano de insolvência. Ainda no distrito do Porto, os pedidos de insolvência apresentados pelos representantes das empresas chegou aos 232, no distrito do Porto, e os requeridos pelos credores chegou aos 274. Em todos os casos, aumentou o número de processos relacionados com insolvências. O total chegou aos 742 processos, só no primeiro semestre deste ano.

No concelho da Maia foram registadas 73 acções de insolvência, mais 22 do que em igual período do ano passado. Foram declaradas como insolventes 23 empresas. Duas empresas tinham em curso um plano de recuperação. Do total de acções, 29 foram requeridas pelos credores e 19 pela própria empresa.

Novas empresas

No que diz respeito à constituição de empresas, verificou-se um crescimento de 17,9 por cento. Ou seja, de 16678 novas empresas no primeiro semestre de 2010 passou-se para 19661 no mesmo período deste ano. Na Maia, enquanto 73 empresas eram alvo de acções de insolvência, eram criadas 292 novas entidades, sobretudo nos sectores do comércio por grosso (38) e retalho (32). Segue-se o sector da restauração com 21 novas empresas.

Quanto ao créditos vencidos/ total de créditos de empresas não financeiras registados na Central de Responsabilidades do Banco de Portugal aumentaram de 4,5 por cento no último dia do ano passado para 5 por cento no final de Março deste ano. Também o número de empresas que tinham créditos em situação de mora aumentou de 20,7 por cento para 22 por cento no mesmo período de tempo.

A construção, comércio por grosso e a retalho, continuam a ser os sectores com maior número de insolvência e maior taxa de créditos vencidos. Pela positiva, de destacar os sectores ligados ao lazer e cultura, área alimentar, e actividades de educação e saúde humana, que têm conseguido resistir aos efeitos da crise.

Fernanda Alves