A América e o medo

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Donald Trump

1.- Se fosse em Portugal o pretendente a cómico Donald Trump não ganharia as eleições presidenciais. E não ganharia por duas razões: a primeira por que em Portugal só a extrema-direita, muito extrema mesmo, votaria nele, a segunda, por que obteve 0,2% menos dos votos que Hillary Clinton, não contando com os outros candidatos de quem não se fala. Esta teve 59.789.023 votos e Trump 59.588.434 votos, logo menos. Também no nosso país estou certo que as acusações feitas não teriam lugar, aqui no meu país somos mais democratas, mais moderados na língua, até não é tudo tão mau em Portugal. Mas estamos nos Estados Unidos onde a democracia é entendida de outro modo, e que é aceite, pelo menos pelos ditos democratas e republicanos, e onde, a verdade seja dita, não temos que ter decisão. Porque opinião, essa temos sempre, aliás como os Estados Unidos têm sobre a nossa vida coletiva e, creio, privada. Apesar que a diferença entre privado e coletivo é mínima, fazemos todos parte de um coletivo que nos forma ou deforma.

2.- Trump fixou metas diferentes de Hillary, que não nos são indiferentes, embora os dois provenham da mesma chamada “elite” do dinheiro e do poder; como é evidente gostaríamos que ganhasse Hillary, pelo menos sabíamos quem tínhamos e as estórias do outro – agora: presidente, sabe-se lá, o que por aí virá. Donald – como não gosta que lhe chamem – tem brio em afirmar que vai acabar com o plano de saúde, exercitar a sua luta contra o ambiente, colocar fora do país milhões de seres humanos que para lá emigraram, abandonar inúmeros acordos internacionais e continuar a construção de um muro, que presentemente já tem mais de 1 000 quilómetros, entre o México e a América. Tudo isto para além das frases ignóbeis ditas, como: “Não interessa o que os media dizem, desde que tenhas ao teu lado uma gaja nova e com um belo rabo”, “O conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses para as fábricas americanas não conseguirem competir” ou “Se Hillary Clinton não consegue satisfazer o marido, o que é que a faz achar que pode satisfazer a América?”.

3.- São crimes contra a humanidade e o planeta a expulsão de milhões de emigrantes, a continuação da construção do muro ou o rasgar dos acordos internacionais e contra os direitos humanos que as pessoas nos Estados Unidos não tenham uma saúde para todos. São crimes contra a humanidade, o planeta e todo o cosmos continuar a poluir e a aquecer o planeta. Estou certo que os homens e as mulheres de boa vontade em qualquer parte da nossa Terra Mãe irão levantar as suas vozes e impedir que mais uma vez a América impeça um desenvolvimento sustentável e imponha – como tem imposto aos povos – a vontade de um iluminado milionário, que quer explorar os outros países, sem dó, nem piedade, mais do que têm sido explorados. Não ao medo da cretinice de Trump, porque isso é o que pretende.

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental