A “Macaca”

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Jogo da macaca

1.- Agora, e nestes tempos, não vejo ninguém a jogar à “macaca”. A “macaca” era um jogo mais das raparigas, com uns quadrados no chão, saltava-se de uns para os outros. Esses quadrados faziam uma espécie de cruz e eram numerados, de um a nove, por exemplo. Este era um jogo sério e a sério. Aliás, brincar é muito sério, seja aos médicos, às famílias, às “casinhas” ou à “macaca”. Todas e todos nós sabemos destas brincadeiras, que não eram computadorizáveis, mas se brincava com afinco e, sobretudo, com muita seriedade e honestidade e se alguém não o fosse levava sempre: “Não brinco mais contigo”, e pronto naquela hora pelo menos não se brincava, para depois tornar a brincar com os mesmos. Por isso mesmo é que as brincadeiras das crianças são honestas e que os adultos se se fizerem como crianças, também serão. Se não, não é brincar, é rosnar, empecilhar, barafustar, em resumo é “não jogar à macaca”. Jogava-se à “macaca” por divertimento, quem ganhasse ficava com a amizade de ganhar, como nos “carrinhos de rolamentos”, mas nestes quem ousasse correr, teria de fugir, quando o polícia aparecesse.

2.- Temos perante nós o orçamento de estado para 2017. Se existe alguma coisa que preocupante é as pensões mais baixas não subirem, mesmo com o argumento que já subiram antes ou que existe o complemento solidário para idosos, o mais certo era este não existir e ser incorporado nas pensões, mais agilidade, menos papel e trabalho. Este modelo de sustentabilidade é neoliberal e liberal, embora seja mais distributivo, que é, sem dúvida. Não é compreensível que estas pensões não possuam um valor que sustente as pessoas, é indigno, logo é injusto. Quando se permite que alguns ganhem milhões de ordenados, como é o caso da Caixa Geral de Depósitos, ou mesmo outros bancos, ninguém poderá compreender a injustiça de uma medida que classifico de absurda. Cometer a pessoas pensões de 300 € é ignóbil, que só se compreende numa sociedade neoliberal. Mesmo que elas não tenham contribuído para a segurança social. Por que se não o fizeram, sabemos o porquê?

3.- Voltemos à “macaca” e aos seus ensinamentos. Na “macaca”, como disse, existem quadrados numerados, por exemplo de um a nove, mas ninguém pressupõe que se salte de um para os nove, não pode, se não as outras meninas e outros meninos “não brincam mais” e acaba-se a brincadeira. O que temos na decisão do governo de não aumentar as pensões mais baixas e pagar ordenados violentos a gestores, é passar do um para os nove, e isso não é brincar, mas desonesto. Por que é um assunto de suma importância em um orçamento seria bom que os nossos governantes aprendessem a brincar à “macaca”. Talvez que as suas regras impusessem o bom senso, a virtude, por que – e reparem até gosto da forma do governo, não lhe sou hostil, mas colaborante -, se assim não for eu vou começar a dizer: “Assim não brinco”, e pronto.
Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambienta