A saúde mental e a resiliência psicológica durante o surto COVID-19

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À medida que a epidemia COVID-19 se espalha pelo mundo, tem vindo a crescer a preocupação, o medo e o stress, que são reações normais e naturais à situação de incerteza que vivemos. Cada um de nós deve recorrer dos notáveis poderes de força e cooperação que possuímos como seres humanos para enfrentar este momento único.

Com os efeitos disruptivos, incluindo a distância social, que estão atualmente a dominar as nossas vidas, é importante garantir que olhemos uns pelos outros, por chamada ou chat de vídeo, e estar atento às necessidades únicas de saúde mental daqueles de quem cuidamos.

Deste modo, a Organização Mundial de Saúde emite algumas recomendações sobre este tema:

– Ajude quem foi afetado pela doença ou está de quarentena, sem qualquer discriminação, mas sempre protegido devidamente;

– Evite ler, ouvir ou ver notícias que o deixem ansioso ou angustiado.  Não partilhe informações que não estejam confirmadas e não confie nos meios de comunicação social que reiteradamente fomentem notícias com base em rumores não confirmados;

– Partilhe histórias positivas. As histórias positivas e o trabalho de quem ajuda diariamente as pessoas afetadas pela COVID-19 devem ser reconhecidas e partilhadas. É importante noticiar que já há milhares de casos tratados com sucesso em todo o mundo;

Qual o impacto da COVID-19 na saúde mental de uma criança?

As crianças estão a experienciar sensações como preocupação, ansiedade e medo, tal como os adultos. Medo de morrer, medo de que os seus familiares morram, ou até mesmo do tratamento médico que possam ter de vir a receber. Como as escolas estão fechadas, as crianças deixam de ter o sentido de estrutura e estimulação que é promovido por aquele ambiente.

Têm menos oportunidade para estarem com os seus amigos e de suporte social, que é essencial para uma boa saúde mental. O próprio facto de estarem fechados em casa, pode levar ao maior risco de incidentes ou até mesmo de vivenciarem violência interpessoal.

Apesar das crianças se adaptarem às mudanças, sobretudo as crianças mais novas podem ter dificuldade para compreender todas estas alterações no dia-a-dia, expressando mais irritabilidade e fúria, podendo exigir mais dos seus pais ou responsáveis, criando pressão nestes últimos.

Estratégias simples que podem contornar este problema incluem oferecer amor e a atenção que necessitam para reduzir as suas preocupações, e ser honesto, explicando o que está atualmente a acontecer, de modo a que possam entender.

Pode ser benéfico ajudar as crianças a encontrar formas de se expressarem, através de atividades criativas como desenhar ou criar jogos com a família, facilitando a comunicação e criando um ambiente seguro. É também importante estabelecer rotinas, criando um dia estruturado.

Qual o impacto da COVID-19 na saúde mental de um idoso?

O facto de as pessoas idosas saberem que são um grupo vulnerável, pode levar já de si a uma sensação aterradora e indutora de medo. O impacto psicológico desta população pode incluir ansiedade e stress, sobretudo em pessoas que estão socialmente isoladas. Este impacto pode ainda ser mais complexo para idosos que experienciam declínio cognitivo ou demência.

Para contrariar este problema, existem estratégias que podem proteger a saúde mental nestes tempos difíceis. De entre estas, incluem-se manter a atividade física (dentro de portas), manter rotinas ou criar rotinas novas, e realizar atividades que ofereçam a sensação de realização. Manter o contacto social é também importante, nomeadamente através das redes digitais, cujo próprio já pode estar familiarizado ou pode ser instruído de como as utilizar pelos familiares mais próximos.

Os recursos de suporte psicossocial que são importantes nesta população, devem estar mais do que nunca acessíveis nestes tempos difíceis.

Com a ajuda de todos, venceremos esta pandemia, e sairemos mais fortes.

Margarida Aroso, Interna de Medicina Geral e Familiar da USF Pedras Rubras, ACeS Maia/ Valongo

Graça Cardoso, Interna de Medicina Geral e Familiar da USF Bela Saúde, ACeS Maia/ Valongo