Debate político sobre os programas de governo embrulhado por Sampaio da Nóvoa

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O candidato das hostes do PS, António Sampaio da Nóvoa, apresentou publicamente a sua candidatura à Presidência da República, em cujo evento contou com as aparições de 2 antigos chefes de Estado.

Enquanto cidadão, reconheço ao candidato, por agora ainda só putativo, pleno direito para exercer essa sua vontade e levar por diante o seu projecto político pessoal, considerando que nada o impede de o fazer, porque reúne todas as condições cívicas e legais para tal.

Creio no entanto que Sampaio da Nóvoa, pessoa respeitável contra quem nada me move, está demasiado associado ao PS, quer pelo seu envolvimento em várias iniciativas partidárias dos socialistas, como pelos inúmeros contactos públicos que manteve com altos dirigentes do largo do Rato. É um homem livre, democrata e tem todo o direito de se reunir e falar com quem quiser, mas desta leitura da existência de um compromisso com a família socialista, disso já ninguém o consegue descolar.

O problema, a meu ver mais complicado de resolver, é que a entrada de Sampaio da Nóvoa, nesta pré-corrida presidencial, mais do que qualquer outra candidatura anunciada, já condicionou o debate público sobre os programas políticos que os vários partidos e coligações apresentaram.

Este embrulhar de um debate que é crucial para o nosso futuro no próximo quadriénio, é preocupante e grave.

É tanto assim como digo, que até Pedro Passos Coelho, que se estava a manter firme na decisão de guardar o assunto para depois das legislativas, parece começar a ceder à tentação de discutir o assunto com o CDS e ponderar um nome para o apoio conjunto, incluindo o tema no pacote político da coligação.

Como a realidade já provou, noutras presidenciais, quem sai na frente, normalmente conquista uma vantagem competitiva que obriga os seus adversários a correr atrás do prejuízo.

As presidenciais são importantes, sem dúvida que são, mas o que nós, portugueses, queremos saber agora, não é propriamente o que vai na cabeça dos candidatos a Belém.

O que realmente queremos, é que nos esclareçam, com total disponibilidade e transparência, quanto às propostas concretas para o governo do país, depois do próximo outono. Precisamos que cada candidato a Primeiro-Ministro, nos diga o que pensa e se propõe fazer, na próxima legislatura.

Sampaio da Novoa

Esse debate político, esse esclarecimento essencial, essa explicação com palavras simples e muito claras, sobre a forma e sobre as políticas com que nos querem governar, isso meus caríssimos amigos leitores, isso segue dentro de momentos, porque para já, está envolto num grande embrulho, ou porventura até mesmo, num grande imbróglio…

Por enquanto vamos sendo embalados, assim numa espécie de “foclore” do campeonato das presidenciais, com Sampaio da Nóvoa a ser levado ao colo por certos órgãos de comunicação social, cuja independência e imparcialidade me deixa muitas dúvidas, e me faz suspeitar que há ordens vindas de certos centros de decisão económica. Suspeito até que essa agenda mediática será controlada pelos mesmos que mandaram o jornalista angolano Rafael Marques para o banco dos réus, por ter tido a coragem de escrever “Diamantes de sangue”, uma espécie de radiografia da cleptocracia política que reina no seu país.

Creio que não é por acaso que a candidatura de Paulo Morais tem sido desqualificada e praticamente banida de meios e canais controlados por esse capital.

Hoje, como nunca desde o 25 de Abril, sinto a Liberdade e a Democracia seriamente ameaçadas, por um poder que asfixia, tolhe e também mata, refiro-me é claro, ao mesmo poder que o Papa Francisco tem vindo a denunciar corajosamente, o poder económico sem regras, sem pátria e sem Lei.

 

Victor Dias