Estava-se mesmo a ver!… Ou não?

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Caixa Geral de Depósitos

O tema Caixa Geral de Depósitos é um daqueles assuntos dos quais os portugueses começam a já não poder ouvir sequer falar.

Creio que como a esmagadora maioria dos leitores, não conheço António Domingues de lado nenhum, e como tal, não me atrevo a dizer o que quer que seja sobre a sua pessoa, nem bem, nem mal, porquanto ignoro as suas competências e talentos que levaram o governo de Portugal a convidá-lo para liderar o banco público.
Pese embora esta minha posição de princípio, tenho no entanto de sublinhar o que sempre pensei desde o início de toda esta polémica, considerando que o assunto reunia todas as condições para correr mal. E correu!…

Sobre os factos que se foram sucedendo, penso não valer a pena recuperar nenhum deles e continuar a lavrar no erro de procurar, pelo menos por agora, quem são os verdadeiros responsáveis por esta lastimosa forma de cuidar de assuntos que mexem, e de que maneira, com os bolsos dos contribuintes.

Espero, isso sim, que os erros crassos que foram cometidos tenham servido para tirar lições e que daqui para o futuro, se tomem as decisões de forma assertiva e digna, de modo a que não se exponha a instituição a riscos que vão ter custos incalculáveis, quer ao nível da sua imagem pública e no mercado, mas que terão inequivocamente consequências com impacto financeiro que todos nós seremos chamados a pagar.

Os comissários políticos

Quanto ao gestor convidado para liderar a Caixa, e agora demissionário, foi também exposto a um indigno julgamento moral na praça pública que podia e devia ter sido evitado, se quem teve a seu cargo a incumbência de o contratar, tivesse revelado mais respeito pelo bom nome e pela honorabilidade das pessoas. E esse cuidado falhou em toda a linha.

Temo que no futuro próximo, tudo isto continue a correr mal, arrastando a gestão da CGD, novamente para o território muito apetecido e também muito disputado, dos comissários políticos nomeados não pela valia do seu currículo na área, mas qualificados em função do cartão partidário.

E temo, que se isso vier a acontecer, a parada das mordomias não vai baixar, com o argumento de que se António Domingues podia, o feliz contemplado também pode.

A diferença está no algodão que nunca engana, quando passado sob os assuntos ofuscados por nublosas relações politicas que ninguém quer explicar claramente ao país.

Se continuarmos assim, quer dizer, sem que alguém com efetiva responsabilidade política na matéria, venha a terreiro, pôr tudo em pratos limpos, entenda-se o

Primeiro-Ministro ou, no mínimo, o Ministro das Finanças, está-se mesmo a ver que a coisa vai continuar a correr mal!… Ou não? Depois se verá!…

Victor Dias