Estávamos bem?

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Wolfgang Schauble

1.- Sou daqueles que reconheço a todas as pessoas a possibilidade de se manifestarem. Até que sejam estrangeiros, podem falar sobre o meu país. Dar as sugestões que lhes parecem ser as melhores, sendo que discordo deles. A multiplicidade de opiniões, mesmo sem o direito natural de se imiscuírem naquilo que não devem fazer, é louvável, por que é dessa diversidade de opiniões que nasce a unidade das dúvidas e, consequentemente, um maior diálogo e propostas que capitalizem o discernimento das pessoas. Creio que, mesmo que por direito não devam ter interferências, todas as opiniões são definitivamente boas, desde que não espatifem de mortandade as circunstâncias e os circunstantes. Se a sua linguagem é defeituosa, por que não-dialogante aceito as críticas que possam dirigir aos outros e ao meu país. Neste paradigma podemos encontrar uma abertura total para aceitar a opinião dos outros e ao mesmo tempo fazer dela uma sugestão que nos apraz. Esta é uma posição de abertura total e que não será nunca confundida com indiferença ou alheamento.

2.- O senhor ministro das finanças alemão tem as suas opiniões, nem todas eficientes e eficazes, e pode tê-las. Respeito-o, enquanto ser humano, que é, posso é não concordar. Sobre o meu país – Portugal -, o senhor ministro das finanças alemão tem referido um descalabro grande nas finanças e na economia portuguesas. A cada orçamento que o meu país produz o senhor ministro das finanças alemão vem afirmar a sua incorreção. Para além do “palavreado”, ainda, até hoje, não se referiu a uma única possibilidade de alteração, nem como sairmos daquilo que diz estar incorreto. Aliás temos verificado que as políticas que tem defendido não produziram efeitos positivos, mas muito negativos. A sua opinião mesmo no seu país tem tido como consequência resultados de enormes proporções negativas, por exemplo na banca, que diz não estar preocupado, será muitos países como o nosso é que as solucionam?

3.- E dizia que todos podemos ter a nossa opinião, mas sem esmagar de morte quer as “circunstâncias”, quer os “circunstantes”. Neste caso o que o senhor ministro das finanças alemão tem estado a fazer é das palavras balas fulminantes. Então não é que estávamos a “ir tão bem”: os pobres eram mais pobres, os ricos mais ricos, a segurança social iria começar a ser entregue a privados, tal qual o ensino ou a saúde, e a banca auxiliava a banca alemã. Por que queremos deixar de ser assim, por que havemos de pagar subsídios para idosos, pagar o ensino, pagar a saúde, se tudo o que é bom é não pagar? A atitude de diálogo que o senhor ministro das finanças alemão quer é esmagar Portugal, mesmo que tenha de se servir de um carro de combate e nas mãos armas sofisticadas. Isso não queremos nós, senhor ministro das finanças alemão!

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental