Gestão por valores

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Gestão por valores

1.- A diferença entre “gestão por objetivos” e “gestão por valores” é abismal. Os objetivos para quem gere são uma ferramenta, para medir e saber por onde se anda, por isso mesmo é que todos os sistemas de gestão conhecidos, se gerem por objetivos. Estes são quantificáveis mas não amarráveis, isto é, se traçamos metas para um objetivo e períodos de monitorização, estou, naturalmente, a quantificar o que quero atingir, mas não posso amarrar esse objetivo a um valor absoluto, quando todas as medições se fazem com metodologias “toleranciadas”. Não existem valores absolutos nas medições, nem nas monitorizações, por isso falamos em objetivos, que são planeamentos a atingir. Tudo o que é planeado será superado pelo projeto, e este pode ser modificável. Não atingir um objetivo é para menos, ou para mais, e nem tudo que é menos ou é mais significa um bom procedimento. Normalmente dizemos que se atingiu ou superou o objetivo, significa o cumprimento desse objetivo. Na gestão de uma organização, porém, os objetivos são serão viáveis se ela tiver como fundamento os seus valores, que significam os valores de todas as partes interessadas, nomeadamente a comunidade onde se insere.

2.- A “gestão por valores” não significa a negação da existência de objetivos, desde que estes sejam condicionados pelos valores. Os valores de todas as partes interessadas, desde os clientes aos trabalhadores, dos acionistas à comunidade local e internacional, são as únicas potentes alavancas que darão o ser a uma organização, sem estas “entradas” a organização é um falhanço em si e uma contrariedade no seu funcionamento. Por isso a gestão por valores é muito diferente da gestão por objetivos, por que esta massacra se não for subordinada daquela. Os valores estão sempre acima de qualquer veleidade do cumprimento objetivado. Os valores são a essência das organizações, não é o “mercado e suas leis”, mas a capacidade da organização da sociedade em se bater pela cultura dos valores. A cultura dos objetivos – se há duas culturas!-, é insensata e prejudicial á vivencia das pessoas, se não for subordinada aos valores da humanidade.

3.- As câmaras municipais ou as autarquias não fogem à regra da gestão por valores, aliás os seus acionistas – as populações -, são ao mesmo tempo os únicos clientes e trabalhadores. Uma câmara municipal, como a da Maia, por exemplo, que tem por base uma gestão por objetivos e não por valores, não cumpre o grande desígnio da sustentabilidade, por que lhe faltam os valores. Nunca uma lista candidata apresentou um programa baseado em valores, mas em promessas, principalmente economicistas e agora muito popularistas. Nunca os órgãos autárquicos assentaram a base em valores locais, nacionais e internacionais. Veremos se eles aparecerão na dinastia sucessória do poder e da oposição, nas próximas eleições, o que é difícil quando se trata de dinastias!

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental