Militantes Socialistas expulsos

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O PS quer expulsar Maria José Azevedo e outros socialistas que concorreram contra o partido como Narciso Miranda e todos aqueles que integraram listas de independentes. A maioria destes casos verificou-se no Porto.

Sempre achei que Maria José Azevedo, pelo que fez em Valongo tendo inclusive sido presidente da Assembleia Municipal pela votação maioritária do PS em 2005 deveria ser a candidata pelo PS.

Narciso Miranda pelo seu passado, pelo que fez por Matosinhos e pelo próprio partido, não nos podemos esquecer que Matosinhos era sempre roteiro de Mário Soares, Jorge Sampaio e António Guterres para as suas candidaturas ganharam outro élan com os banhos de multidão em Matosinhos e na lota. Merecia ser tratado de outro modo e com outros modos.
Porém quando estas candidaturas foram descartadas e não grata no PS, não interessa escalpelizar agora essas nuances, só tinham um caminho – desfiliar-se do partido. Aliás, no lugar deles tinha auto-suspendido a militância no PS por uma questão de coerência.

Perguntam os leitores porquê? Porque quando se assina uma ficha de inscrição de militante tem-se direitos mas também deveres. Um desses deveres sujeito a sanções disciplinares, entre outros, considerado falta grave a que consiste em integrar ou apoiar expressamente listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do Partido, inclusive nos actos eleitorais em que o PS não se faça representar.

A falta grave consubstancia a pena de expulsão por desrespeito à linha política do Partido, a inobservância dos Estatutos e Regulamentos e das decisões dos seus órgãos, a violação de compromissos assumidos e em geral a conduta que acarrete sério prejuízo ao prestígio e ao bom nome do Partido.

A sanção de expulsão é legítima, os dois impedirem um melhor resultado do PS nas eleições locais, mas no lugar do PS não os expulsava, aplicava-lhes uma pena de censura agravada com uma pena de suspensão de militância alargada. Essa suspensão consiste na interrupção de todos os direitos de membro do Partido Socialista durante o período de duração da pena, não podendo o arguido durante a suspensão exercer actividades partidárias.

O PS sairia por cima na sua tão proclamada tolerância e anti-asfixia partidária e, os militantes ao serem suspensos o seu caminho será a saída pelo seu próprio pé, pois já não se livram desse anátema e no PS o seu futuro é sombrio. O mal já está feito e está. Falta saber se vencesse algum deles (Maria José Azevedo ou Narciso Miranda) se o desfecho seria este? Por que não foi feito antes das eleições autárquicas? Medo das consequências? Manuel Alegre quando se candidatou a Presidente da República, apesar desta eleição ser unipessoal e proposta por um grupo de cidadãos (mínimo 7500) não respeitou a linha política do Partido (apoio a Mário Soares) e não teve nenhuma sanção, e bem num registo de tolerância, apesar de não respeitar a disciplina partidária. Num partido não pode haver filhos e enteados, todos são militantes. Por estas e por outras é isso que deve ser feito no PS. Fica a ideia…

Joaquim Jorge

Fundador do Clube dos Pensadores