Opinião Joaquim Armindo: Semana: Porto, Murça e Terra Santa

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1.- Mais uma vez o Porto. E por bons motivos: as festas estão na rua e ainda não estamos no S. João. A animação e a beleza que o presente executivo está a dar à cidade, produzem uma luz inusitada. Foi um espetáculo, único, pela arte com que no edifício da câmara municipal se projetou com luz. Há muito que não era a cidade do Porto barrida por multidões famintas de estar na rua, no seu Porto, em zonas como a Rua das Flores e o Largo de S. Domingos, já a cheirarem a manjerico e as quadras populares a fluírem dos poetas da cidade. Uma preparação para as festas sanjoaninas, mas mais que isso, o encontro das populações na sua cidade. Música e colorido, pistas de dança improvisadas, como só o povo sabe fazer, e, também, os comerciantes a terem razão de sorrir. O belo está no nosso povo, do qual fazemos parte, nas ruas, nas animações, na cultura e na arte. Até os mais pequenitos aprendiam a ser poetas, apresentando quadras!

2.- Vamos para Murça. Este concelho é famoso, pela chamada porca de Murça. História antiga, mas que se vendem lá as estatuetas da porca, vende. Mas agora não vamos falar deste concelho por isso, mas por uma razão especial, todo o concelho de Murça não foi votar para as eleições europeias. E creiam, com muita razão. O governo português com uma ânsia inaudita pensa que o desenvolvimento do país se faz desertificando o interior e vai daí toca a retirar das suas cidades, vilas e aldeias o mínimo que as populações necessitam para bem viver. Retiram as finanças, os postos de saúde, as escolas, os tribunais e tudo que cheire a bem estar coletivo, como a cultura, cinema e mais. Será que também querem retirar as populações e vender os terrenos? Por isso Murça se levantou, pelas suas terras, pela sua riqueza, nas pessoas, na cultura e no desenvolvimento, e não votou. Para que o país saiba, os burocratas do Terreiro do Paço pensem um bocadinho e a Europa saiba que em Murça há homens e mulheres que lutam pela sua dignidade.

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3.- Eis Francisco, pela Paz e Justiça. Um desafio digno de um cristão que coloca em cima da mesa a questão da Palestina e Israel. Disse: “Neste lugar, onde nasceu o príncipe da paz, desejo dirigir um convite a si, senhor presidente Mahmoud Abbas, e ao senhor presidente Shimon Peres, a elevar juntamente comigo uma intensa oração, pedindo a Deus o dom da paz”. E mais: “Ofereço a minha casa, no Vaticano, para receber esse encontro de oração”! E foi aplaudido pelos milhares de pessoas. Chamando os presidentes a serem “instrumentos e construtores da paz”, o Papa Francisco, foi lá, onde há guerra, não se frustrou e ofereceu-se para este grande serviço à humanidade: acabar com a guerra e viver em paz.

4.- Livro da semana: “Barroco”, de Paulo Ferreira. Edição Circulo de Leitores.

Revista da semana: “Saúde Actual”, número de maio/julho 2014.

Joaquim Armindo

Mestre em Gestão da Qualidade

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

Diácono da Diocese do Porto