Opinião Tiago Oliveira Silva: “Das dúvidas às confissões de um Socialista…”

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Num período em que os partidos vão apresentando os seus candidatos à presidência da Câmara Municipal da Maia, foi com um confesso divertimento que li um artigo de opinião de um destacado socialista maiato expondo as sete preocupações que o apoquentam neste período de elaboração das listas. Espante-se que, sendo ele socialista, as suas preocupações passam por quem são os candidatos do PSD a três freguesias da Maia (Vila Nova da Telha, Pedrouços e Gueifães), se o Dr. Mário Nuno Neves continua ou não a ser vereador e se, admitindo que continua, é ou não pacífica a sua escolha, se a vitória do PSD e a sua maioria absoluta está em risco e, por último, se o lugar do Sr. Álvaro Braga Júnior estava ocupado não havendo lugar para recuperar o seu posto.

Pois meu caro, vamos por partes. No que diz respeito aos candidatos às juntas de freguesia eu, como social-democrata, fico feliz por ver o meu partido pôr os interesses das populações à frente de tudo. Fico feliz por ver que os lugares de candidatos não têm donos, não estão pré-determinados e são escolhidos tendo em conta a realidade de cada freguesia na busca da satisfação das necessidades dos seus habitantes fugindo, ao contrário de outros, à lógica de atribuição de lugares em função de interesses meramente partidários. Atendendo às nossas diferenças… …compreendo as suas dúvidas…

Seguidamente centram-se os seus problemas na figura do nosso vereador da cultura. Fica ou não o Dr. Mário Nuno no Executivo e é isso pacífico ou não no PSD? Compreendo a sua preocupação. Agrada-me ver que a única crítica que tem a fazer ao vereador Mário Nuno não é que não trabalha, não é que não é um bom vereador para a Maia, não é que o povo não o quer lá, mas tão-somente que, eventualmente, poderá não ser pacífico no PSD. Não sei onde foi o meu amigo buscar a ideia de que determinado potencial candidato a vereador nas listas do PSD pode ou não pode ser pacífico dentro do meu partido, pois não o vejo cá dentro, e ou temos conceitos de pacificidade diferentes (e para si ter em determinado momento um opinião diferente, em democracia, quebra a hegemonia pacifica, o que denunciaria genes estalinistas que se tentam disfarçar) ou então anda aqui alguém com um “fetiche” pelo Dr. Mário Nuno.

E se calhar estamos perante uma síndrome de “fetiche” colectivo.
O candidato do CDS apresentou a sua candidatura dizendo que a estes foram os piores quatro anos de sempre da câmara municipal justificando essa opinião com o facto de não ter existido qualquer vereador do CDS.

Mais acrescentou que a Maia é o que é hoje graças ao democrata-cristão Vieira de Carvalho. Ora, corrijam-me se estiver errado, mal a democracia se estabilizou em Portugal Vieira de Carvalho foi social-democrata, militante, dirigente, candidato e sempre, sempre ao lado do Povo. Se lhe quer chamar democrata-cristão, tudo bem pois democrata sempre foi e cristão também… O não haver vereador do CDS dever-se-ia ao facto de o Dr. Mário Nuno se ter desfiliado, diz-nos o candidato. Ficamos a saber então que votar CDS na Maia não responsabiliza o partido. Qualquer pessoa que opte por votar no CDS sabe que só pode pedir contas ao partido enquanto Álvaro Braga for filiado, se se desfiliar o partido nada tem a ver com o candidato que decidiu promover… Ainda bem que o meu partido é diferente, e já vão dois com o “fetiche” pelo Mário Nuno…

Curioso é, assim, o facto de toda a futura oposição camarária tudo fazer para combater Mário Nuno dentro do Partido que o possa apoiar, para o infectar com a doença do imigrante, querendo fazer acreditar que não é do CDS onde já não está, nem do PSD onde ainda não chegou. Mário Nuno não é um apátrida, tem pátria na Maia, e se é essa a argumentação que contra ele há só se pode concluir que é um excelente vereador.
Os últimos dois pontos que preocupam o nosso amigo socialista são os que têm mais lógica. Corre o risco o PSD de perder as eleições? Corre o PSD o risco de perder a maioria? Caro amigo, a única pessoa que tinha a maioria absoluta garantida era José Sócrates, e onde ela vai…O PSD não corre esse risco na Maia porque o risco seria para a própria Maia, para as pessoas da Maia, e quem se habituou a viver com uma câmara centrada no conforto, lazer e saúde dos maiatos, não quereria agora viver com uma câmara com novas ideias desconfortáveis, sisudas e pouco saudáveis… Por último, quanto ao Sr. candidato do CDS, terá ele na Câmara da Maia o exacto lugar que os maiatos entenderem que vai ter sendo esta a possibilidade de, pela primeira vez em votos, demonstrar o seu real valor.

Concluindo a análise das inquietudes do notável socialista questiono-me a mim o que fará com que alguém, na Maia, centre as suas questões nestes sete pontos e não em tantos outros como quantos candidatos a presidente da Assembleia Municipal tem o seu partido ou quem escolherá os candidatos que acompanharão o cada vez mais isolado cabeça de lista da oposição. As minhas dúvidas dissipam-se quando no fim do seu texto encontro a confissão que nos oferece… Compreendo, caro Hélder Ribeiro, que a sua forma de estar na política seja a de entender que “…fretes, todos os fazem nos partidos…”, e compreendo, acima de tudo, porque você não está no PSD.

Militante do PSD