Opinião Victor Dias: “Sound bytes”…

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O candidato Presidente, Cavaco Silva, tem paulatinamente revelado num crescendo de intensidade, aquilo que ele efectivamente é, um político carreirista profissional, como há poucos no nosso país, para além de Sócrates, é claro. Ou será que não é bem assim?…

Na sua declaração surrealista, quase absurda, o candidato ainda inquilino de Belém, veio a terreiro tentar justificar a sua assinatura na promulgação de uma das leis que mais envolve questões de princípio e de ética natural e humana, a Lei do “Casamento” entre homossexuais.
Ouvi vários comentários, mas houve um, proferido por uma mulher do povo que, a meu ver, foi lancinante: -“…então ele é contra e vota a favor…”. De facto, a consciência de cada um, aos olhos do povo é o último reduto da nossa condição, é nela que encontramos justificação e validade para rejeitar tudo quanto a violenta e agride. É na consciência que encontramos força anímica para enfrentar as dificuldades e assumir todas as consequências dos nossos actos, ainda que isso nos custe sair da zona de conforto das nossas vidas.

Com aquela declaração do Presidente que se disse obrigado a engolir um sapo, Cavaco Silva lançou definitivamente a sua recandidatura à Presidência da República. É pois legítimo que o vejamos agora, permanentemente, em campanha.

D. José Policarpo

Enquanto católico, acolhi com compreensão a reacção do Cardeal Patriarca que se manifestou, muito justamente, estupefacto e chocado com a declaração, não do candidato, mas do Presidente. Um Presidente incoerente e empenhado em agradar a gregos e a troianos, para não dizer de outra forma menos simpática.
As coisas até estavam a correr de feição ao candidato Cavaco Silva, mas por esta é que ele não esperava, principalmente, pelo coro de vozes de seus, agora, ex-apoiantes, que vieram lançar a ideia peregrina de um candidato da “direita católica”.
Até hoje continuo a dar voltas e voltas à minha cabeça, mas na verdade ainda não percebi onde foram inventar essa tal de “direita católica”.

Julgo que o D. José Policarpo já pôs algum juízo nessas cabeças pensantes, lembrando-lhes que os católicos portugueses de hoje não são mentecaptos, nem aceitam nenhum atestado de menoridade intelectual e de cidadania que permita que alguém escolha ou decida por eles.
Não vou invocar a Palavra de Deus em vão, mas convido cada católico a procurar as respostas que podemos encontrar nas Escrituras.

Aceito com humildade e obediência a Deus e à Igreja, a orientação espiritual da minha vida, mas não quero César metido nessa dimensão da minha existência…