Opinião António Espojeira: “Democracia Representativa”

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Não são virtuais as nossas dificuldades, são realidades complexas e dolorosas para a imensa maioria. Apesar disso ou se calhar por isso alienamos direitos e responsabilidades. Desistimos de pensar e participar, basta-nos reclamar. Tenho para mim que o abstencionismo não é solução.

Por estes dias tivemos oportunidade de participar num acto eleitoral – escolha dos Parlamentares – para um órgão de uma União muito sui generis, a quem pedimos para nos aceitar como um dos seus membros efectivos.

Conhecidos os resultados e distribuídos os lugares aceitamos candidamente que as coisas são assim.

Com a abstenção a bater recordes, assistimos a todo o tipo de análise, comentários e acção:

§ A abstenção combate-se com o voto obrigatório.

§ Moção de censura questiona a legitimidade da actual governação.

§ Primeiro-Ministro reúne Task Force.

No entanto, no seio da nossa inteligentsia, questiona-se a verdade da humildade do Sr. Eng.º José Sócrates: a qualidade e fragilidade da nossa Democracia Representativa não os preocupa.

Como é possível que tanta preocupação no combate à abstenção não produza qualquer efeito?

Admite-se a obrigatoriedade do voto, mas não se questiona atribuir à abstenção a legitimidade de um voto.

Sim, em matéria de Representatividade, esta nunca foi tida em conta, apesar de valer metade do universo eleitoral.

Até estou capaz de aceitar que a abstenção não tenha lugar de representação, porque os digníssimos titulares desse direito de voto entenderam por bem não o utilizar.

Então e os votos em branco? Contados como efectivos e cujos titulares não abdicaram do direito de votar, alguma vez elegeram alguém?

Paradoxo.

São tidos como bons mas não valem nada.

O desencanto que produz a abstenção não seria transferido para o voto em branco se este partilhasse os lugares que o método de Hondt distribui?

O voto branco não é expressão clara de desencanto com as alternativas?

Digamos que atribuir ao voto em branco a respectiva representatividade de forma visível e quantificável, com lugares vazios no Parlamento, além de poupar os cofres do Estado, conferia mais justiça aos resultados eleitorais.

Políticos que não cumprem os patamares de seriedade e humildade.

Instituições pesadas e enfadonhas. Corporações poderosas.

Justiça duvidosa.

Segurança ineficaz.

Democracia equívoca.

Crises: Social, Cultural, Económica e Financeira.

Trabalho precário.

Nesta conjuntura em que os padrões de normalidade se confundiram, as famílias se desmoronaram, as empresas faliram…, parece não ser importante discutir as causas e validar novos caminhos.

Refundar a Democracia Representativa implica inversão completa da agenda dos Média livres e do abandono da mesquinhez da classe pensante.

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