Opinião Arminda Moura: Livros do (des)emprego

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Muitas vezes me questiono se vale a pena investir num futuro académico. Tudo o que foi prometido pelo Senhor, que se denomina com o nome de 1º Ministro, não foi aplicado, nem à revelia da lei, e o que se escreveu fica somente pela promessa, nada é real.

Os RVCC, e outros cursos que por ai andam, fazem felizes o Governo pois ilude uns e, também, dá falsas realidades estatísticas, esta é muito importante a nível da comunidade europeia. Ou, como sempre, lá estamos nós nas coisas perniciosas e negativistas na cauda da Europa. Agora com tanto estudo caminhamos a passos largos para um País de letrados desempregados! Ilude-se quem está à espera de ver um aumento salarial chorudo nas promessas governativas e confecciona as delícias de quem usa a cunha dos padrinhos. Hoje em dia é padrinho para tudo, desde o Baptismo, passando pela estudantina até chegar ao emprego! Haja "Padrinhos"! Portugal é, e será, o paraíso de muitos que sempre tiveram tudo de mão beijada! Vale a pena nascer em berço de ouro, nada lhes dói e tudo aparece à frente deles sem qualquer esforço. Mas pobres daqueles que não têm amparo nem com o flamejado canudo! Sim para eles a procura de emprego na via profissionalizante que academicamente aprenderam não é possível e sujeitam-se a omitir habilitações para terem algum rendimento monetário.

As procuras pelos Centros de Emprego considero-as ilusórias porque quem assim se insere no mundo laboral acaba muitas vezes por não exercer a carreira que escolheu, não que elas não existam nas empresas. Tornam estes jovens no alvo primordial de rescisão de contrato quando este está a prescrever, o que facilita muito as empresas pois conseguem boa mão-de-obra, ganhando muito saber intelectual e tendo estas poucos encargos financeiros com isso. Uma brecha que o Governo deixou aberta às entidades patronais, espertos! Mas e quando se acaba o "estágio", que fazem à vida? Empurra-se com a barriga um problema que em sonhos se pensou que já estava conseguido. Ludibriou-se em todos os sentidos a estatística do desemprego, todos estão “activos” e são letrados! A Europa gosta e o governo também! Os sacrifícios familiares e financeiros, nada pesam aos que mandam, só atacam quem está metido nelas!

Ensino obrigatório

Com o alargar do ensino obrigatório até aos 12 anos de ensino, não sou contra mas me parece que se está a criar muitas expectativas e a realidade é bem discrepante. A intenção é uma mas os resultados são outros por este andar qualquer dia com tanto licenciado até a mulher-a-dias, nos vai presentear com o diploma em como passa, limpa e lava! Uma vergonha está este País, pais que se sacrificam a ter um, dois ou três filhos a estudar e que nada conseguem a não ser aumentar dívidas e a sofrerem ao verem que o martírio que fizeram de nada lhes valeu. Todos nós queremos o melhor para nós e nossos filhos e por isso tentamos escolher o que nos parece acertado. Mas e se um dia ainda nos igualamos aos países de leste em que a sua população deserta e procura novas oportunidades? Estes desertores são médicos, engenheiros, arquitectos e muitos profissionalizantes dignos de reflexão de como isto é possível acontecer, e os vemos por aí a trabalhar na construção civil, aos dias ou á procura de algo que lhes dê abrigo e alimento. Não são contos de fadas mas realidades que existem e muitas vezes estas estão ao nosso lado.

Quem estuda deve de ter melhores oportunidades e se já estiver inserido no mundo laboral devia ter mais contrapartidas no emprego. Este exemplo deve de ser dado pelo próprio governo, criando contrapartidas ás empresas que incentivam os seus trabalhadores a estudar e a formarem-se, talvez com a redução dos encargos fiscais. Porque não? Uma coisa é certa este mundo estudantil mexe com muitos e origina emprego a professores, formadores, auxiliares e inclusive a própria indústria livreira, fomentando também as novas tecnologias. Até financiamento bancário existe, a banca também ganha neste mercado, ninguém dá nada sem contrapartidas.

Temos que acordar e ver a imagem que nos é reflectida por outros. Tanto estudo para quê, vale a pena estudar quando não se encontra saída profissional? A esperança ainda não morreu mas definha a olhos vistos. Por agora vai-se sonhando já que aos sonhos o governo ainda não cobra imposto!

 

Arminda Moura