Opinião de Mário Nuno Neves: "O Pai, o Filho e o Espírito Santo"

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Como se devem recordar antecipei a vitória de Mário Gouveia na contenda interna para a presidência da comissão política do PS e da mesma forma que sempre afirmei que o próprio seria o candidato socialista à Câmara Municipal da Maia nas próximas autárquicas. Apesar de ter acertado nas previsões isso não significa que seja particularmente dotado para as adivinhações. Revela apenas que possuo alguma capacidade de avaliação, de percepção e de compreensão de processos.

O Dr. Jorge Catarino – pessoa por quem, apesar de eu ser adversário político, nutro simpatia, consideração e respeito – continua a ser, e será por muitos anos, o motor do PS da Maia.

O Dr. Jorge Catarino, após as últimas eleições autárquicas, portou-se com uma dignidade rara: reconheceu a derrota e afastou-se da esfera municipal. Já uma vez escrevi sobre isso, e considero que tal atitude só o dignificou. Mas o facto de se ter afastado da esfera municipal não significou que deixou de ser o motor do PS da Maia nem sequer que abandonou a luta política no seio do seu próprio partido.

Apesar de derrotado nas eleições autárquicas, o Dr. Jorge Catarino, delineou uma estratégia de poder. Uma estratégia de poder que lhe assegurasse, em simultâneo, duas coisas: o controle da comissão política do PS e a possibilidade de interferir directamente na elaboração das listas autárquicas socialistas. Conseguiu. Conseguiu porque fabricou um mito: um mito capaz de convencer os demais da sua não interferência, do seu afastamento e do seu desinteresse pessoal no processo político do PS da Maia.

Hoje, o Dr. Jorge Catarino tem exactamente o mesmo poder objectivo que tinha na véspera das últimas eleições autárquicas. Um poder que lhe permitirá proceder à renovação dos candidatos socialistas, afastando quem ele considerar que deva afastar e integrando quem achar que o merece.

É uma estratégia brilhante e apenas com ganhos. Os custos inerentes, incluindo os da próxima derrota eleitoral autárquica do PS – que será pesada – não serão, obviamente, pagos por ele, mas sim pelo seu alter-ego.

Quando o PS iniciar a sua campanha eleitoral na Maia, os maiatos poderão ter a certeza que por detrás dessa mesma campanha está o Dr. Jorge Catarino. Estará o Dr. Jorge Catarino nas cartas de apoio, no programa eleitoral, na definição das actividades de campanha e, – sobretudo –, estará o Dr. Jorge Catarino na sombra de cada um dos candidatos socialistas.

O Dr. Jorge Catarino deu-nos a todos uma lição de política, a uns mais a outros menos. Na parte que me cabe a lição foi parcial: percebi logo o que se estava a equacionar, a lição que recebi foi na forma de conduzir tal processo com sucesso. Os meus parabéns.

Apesar de aparentemente diversa, a próxima candidatura do PS é apenas mais do mesmo – a diferença residirá apenas nas mudanças e substituições que o Dr. Jorge Catarino decidir oportunas e adequadas.

O PS eleitoral autárquico será uma espécie de santíssima trindade: o pai, o filho e o espírito santo, por mais que muitos tentem dizer que não, são exactamente a mesma coisa. Eu explico: o pai é o Dr. Jorge Catarino, o filho será o Dr. Jorge Catarino por interposto mito, o espírito será a fundamentação teórica-demagógica da “coisa”. Ite Missa Est!

Mário Nuno Neves, vereador da Câmara Municipal da Maia