Opinião de Victor Dias: “Emergência social”

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Emergência social

A aldeia global em que este Mundo se transformou vive actualmente numa situação de emergência social generalizada, à qual, como é fácil de compreender, Portugal não escapa.

Este não é o tempo de carpir as mágoas, ou deixarmo-nos mergulhar num estado de depressão colectiva que só nos pode tolher e agravar ainda mais o quadro, já de si, negro que chegue.

“Um estado que prometia tudo a todos de forma graciosa foi chão, de um território demagógico e eleitoralista, que já deu uvas, quais frutos de pouca dura e, não raras vezes, de sabor amargo.

Temos de pôr de lado as palavras e, por todos os meios ao nosso alcance, arregaçar as mangas e fazer jus à nossa condição de cidadãos, a quem também compete uma responsabilidade social”

É certo que tudo isto tem responsáveis, sobre quem deveriam recair as devidas consequências, nuns casos políticas, noutros sociais e, em muitos outros ainda, criminais.

Mas enquanto clamamos por Justiça, urge agir e, sobretudo, acudir a quem mais precisa.

Sabemos hoje que o estado providência já era. Um estado que prometia tudo a todos de forma graciosa foi chão, de um território demagógico e eleitoralista, que já deu uvas, quais frutos de pouca dura e, não raras vezes, de sabor amargo.

Temos de pôr de lado as palavras e, por todos os meios ao nosso alcance, arregaçar as mangas e fazer jus à nossa condição de cidadãos, a quem também compete uma responsabilidade social.

Quanto mais nos envolvermos directamente no serviço de solidariedade social aos outros, quaisquer que sejam as instituições a quem queiramos dar o nosso trabalho, empenho e contributo material, mais teremos direito a exigir do estado, em particular do Governo, que gaste com rigor, contenção e Justiça Social, o dinheiro dos nossos impostos.

É para todos nós um imperativo de consciência, exigir que os dinheiros públicos, sejam agora mais do que nunca, gastos com a parcimónia e transparência que a moral e a ética requerem.

Garantir um rendimento mínimo às pessoas e famílias que se encontram, comprovadamente, numa situação de emergência social, não é, não deve, nem pode ser um acto de caridade ou solidariedade social, é antes de mais e principalmente, a garantia de um direito constitucionalmente consagrado, o direito à dignidade.

É certo que esse direito à dignidade não pode ser o manto que cobre a preguiça, o laxismo e oportunismo, daqueles que recorrem a expedientes para viver, mesmo que miseravelmente, às custas da sociedade, arrastando consigo, tantas vezes, os seus próprios filhos.

Organização

Como em tudo na vida, para se obter maior eficiência e do pouco fazer mais, é absolutamente necessário que haja organização, regras e, muita mas muita, fiscalização.

Acredito que nesta matéria, mais do que qualquer outro organismo público, as autarquias têm um papel fundamental a desenvolver, quer pela sua proximidade com as pessoas e famílias, como pela sua experiência acumulada, considerando que, em muitos municípios e freguesias, as respostas a situações de carência social, é uma prática tão antiga como o poder local.

Para além da utilização dos seus próprios recursos, técnicos e materiais, as autarquias locais, serão porventura, os únicos órgãos de poder público, capazes de mobilizar de uma forma eficaz, em regime de voluntariado, os cidadãos que residem nas comunidades da área de sua influência.

Há que passar rapidamente à acção, elaborar programas que atendam às especificidades de cada região ou localidade, definir projectos de intervenção, com regras, prioridades e competências claras e criar as estruturas adequadas, para que as respostas sejam dadas com a maior brevidade possível.

As instituições públicas, de solidariedade social privada e os movimentos confessionais especialmente vocacionados para prestar este género de apoio social, devem ter sempre em conta que as pessoas que se encontram nesta situação, não necessitam apenas de ajuda material. Há momentos difíceis em que carecem mais de uma palavra de conforto, de amparo e esperança. Quantas vezes uma simples palavra na hora do desespero consegue salvar tudo aquilo que parecia perdido, em circunstâncias extremas, até a própria vida.

A este nível, felizmente podemos contar com um líder, na nossa comunidade concelhia, o Engº. Bragança Fernandes, que por feitio e modo de ser afável, sabe estar, com naturalidade, simpatia e simplicidade, próximo das pessoas, especialmente das que mais precisam, os idosos, as crianças e jovens, os deficientes, enfim, todos aqueles que precisam um gesto, um sinal que também são considerados na sociedade em que vivem. Neste particular, a Maia já está em vantagem.

Como acontece em qualquer situação de emergência, é preciso agir com rapidez, inteligência e máxima assertividade. Mas quando a emergência é social, temos de ver com os olhos do coração e agir com a força da razão, se possível, ontem!…

Victor Dias