Opinião Diogo Sousa e Silva: “Os Maiatos merecem melhor!”

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A Maia é uma terra de contrastes. Assistimos, nos últimos anos, a uma franca expansão do centro da cidade, mas verificamos ainda a existência de assimetrias sociais muito significativas. A diversidade e riqueza territorial fazem da Maia uma terra com potencial, características que, devidamente aproveitadas, podem torná-la num concelho sustentável, mais amigo do ambiente e acessível a todos. As necessidades dos Maiatos não são as mesmas, por isso urge pensar políticas capazes de combater as desigualdades e de se ajustar aos diversos sectores da população. Neste sentido, exigia-se um executivo visionário, com grandes ideias, capaz de fazer face aos problemas com criatividade, de modo a projectar o município da Maia e a torná-lo mais competitivo, com mais qualidade de vida. Na realidade, deparamo-nos com um executivo acomodado ao poder, sem iniciativas nem força para promover o desenvolvimento efectivo do concelho.

Se, nós, Maiatos, fizermos uma breve revisão de memória, não conseguimos recordar nenhuma obra de destaque que se tenha realizado neste último mandato. Constatamos, portanto, que as grandes bandeiras que este executivo ergueu antes de ser eleito serviram meramente para iludir os cidadãos. Bandeiras como o Parque Maior e o Hospital do Lidador são disso um bom exemplo, uma vez que estas obras nunca chegaram a ser concretizadas, apesar de terem sido prometidas. Na falta de obra camarária, assistimos ao apropriamento abusivo, por parte da autarquia, de políticas implementadas pelo Governo PS. Todos nós já nos deparamos com cartazes espalhados pelas ruas da Maia que propagandeiam o PSD de forma indirecta, com slogans que afirmam a existência de “Quadros Interactivos” ou “Serviços de Saúde de Proximidade”. De facto, estas obras foram feitas na Maia e os cartazes até tinham razão de ser se, em vez de possuírem o logótipo da autarquia, tivessem o símbolo do Partido Socialista. Todos nós sabemos que o Plano Tecnológico, as reformas no sector da Educação e o melhoramento dos cuidados primários de saúde são projectos que estão a ser realizados devido a uma estratégia nacional ambiciosa, naturalmente liderada pelo Partido Socialista. Conclui-se, então, que, à falta de obra, mostra-se a dos outros. Os outdoors da autarquia não podem servir como relatório de mandato porque, na prática, é como se não fizessem parte dele: sem a intervenção do Governo muito pouco ou quase nada teria sido feito. Curioso é ainda reflectir sobre o timing de colocação dos referidos outdoors. Após os cartazes do PS estarem na rua, a Câmara lançou os seus. Foi uma resposta político-partidária óbvia, ainda que sem o logotipo do PSD.

Lamento que, na Maia, continuem a faltar respostas apropriadas para problemas muito sérios, como é o caso do Bairro do Sobreiro. Quando falamos deste bairro falamos necessariamente de pessoas, cidadãos Maiatos que convivem diariamente com a realidade daquele local. Ao lado da megalómana Torre Lidador, há prédios habitados por munícipes que se sentem maltratados pela Câmara Municipal da Maia. A sensação que fica depois de se escutar os moradores é que a autarquia não se importa com a degradação daquele espaço. Falta liderança e profissionalismo a este executivo. Mas falta, sobretudo, sensibilidade social.

Questões

Está bem patente a inexistência de uma estratégia de progresso para a Maia. No país e no mundo, vivemos uma grande crise económica e social e, na Maia, o executivo assiste paralisado a esta realidade. Já perdemos diversos investimentos importantes, que se traduzirão numa significativa perda de competitividade do nosso concelho. Mas outros problemas podem ser apontados. Como é possível não existir, na Maia, um sistema de transportes públicos eficaz que abranja toda a área do concelho? Como é possível um concelho como a Maia não ter políticas direccionadas para os mais jovens, nomeadamente no que diz respeito à Habitação e ao Emprego? Como é possível a Maia não ter políticas consistentes direccionadas para os mais idosos, sendo que estes necessitam de um acompanhamento próximo nesta fase da sua vida? É preciso uma voz forte, que saiba ouvir, ponderar e decidir. É preciso ter ideias, trabalhar e arriscar. É preciso gerir, mas saber como gerir bem. É urgente que a Maia seja uma voz activa na Área Metropolitana do Porto e que consiga atrair investimentos estruturantes.

Se antes a Maia tentava marcar o ritmo, agora tenta marcar o passo. Sente-se um profundo cansaço neste executivo. Só assim se explica que, em 2001 e 2005, as candidaturas para a Câmara Municipal apoiadas pelo PSD tenham perdido significativas percentagens de votantes. Está patente uma imagem de declínio. Na Maia, o voto na direita significa uma clara perda de competitividade do concelho. Por sua vez, o Partido Socialista apresenta um projecto afirmativo, baseado num desenvolvimento sustentável. A alternância democrática é necessária para uma boa democracia e é a única forma de redireccionar a Maia para o futuro. Viva a Maia!

Membro do Secretariado da JS Maia