Opinião Fernando Moreira de Sá: Tomar Partido

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Na passada semana, a blogosfera nacional perdeu um dos seus mais importantes membros. O fundador de um dos melhores blogues portugueses, o Jorge Ferreira, terminava o seu braço de ferro com a doença maldita, o cancro. Não sem antes nos deixar 11 textos finais para memória futura e um post marcante, escrito pouco antes de nos deixar e que passo a transcrever: “Considerando o facto de em dois anos não ser possível, ainda, pesem todos os avanços da ciência, assegurar uma vida em plenitude quer no aspecto físico, quer mental, vê-se a gerência Nabantia na contingência de descansar um diazito desta lufa-lufa. O estado social também tem o direito de dar uma folguita aos blogues…”.

A escolha do nome para o seu blogue, “Tomar Partido”, tinha um duplo significado. Por um lado, expressar o seu amor a Tomar, cidade que ele abraçou com toda a força. Por outro lado, era o espelho da sua forma de estar na vida. Para o bem e para o mal, o Jorge Ferreira era um daqueles Homens que sempre tomou partido ou seja, que nunca escondeu as suas opções de vida. Não escondia a sua ideologia da mesma forma que não escondia o seu enorme benfiquismo. Desde muito cedo militou, ao lado de Manuel Monteiro, na Juventude Centrista e, posteriormente, no CDS. Foi deputado na Assembleia da República e líder do Grupo Parlamentar do Partido Popular. Aliás, Jorge Ferreira foi um dos fundadores do Partido Popular, uma instituição que influenciou, politicamente, muitos jovens de direita no início dos anos, nos quais me incluo.

Por estes dias muitos o elogiaram e não vou aqui repetir o facto de ter sido um homem de fortes convicções, bastante culto e que escrevia como poucos, já para não falar no seu humor contagiante. Prefiro recordar o elogio do seu melhor amigo, o Manuel Monteiro: “Eu não perco um amigo, perco o amigo. O Jorge nunca se preocupou com o ter nem com o parecer ser, apenas em ser como era e era um excelente amigo de quem recebi mais do que dei”.

É sempre um choque receber a notícia da morte de alguém com quem partilhamos momentos importantes e fantásticos na nossa vida. Numa das últimas vezes que estivemos juntos, andávamos às voltas com um projecto singular: criar um semanário de direita. Não conseguimos. Depois, fomos trocando mensagens via e-mail e trocando links na blogosfera. A ele devo, nos primeiros tempos do “sinaleiro da areosa”, uma boa dose de visitas, algo típico da sua generosidade. Não esqueço (e serviu-me de lição para o futuro) que as minhas primeiras impressões sobre a sua pessoa, formatadas por opiniões de terceiros, não eram positivas. Só mais tarde, quando trilhamos juntos o mesmo caminho no Partido Popular, fiquei a conhecer o verdadeiro Jorge Ferreira e a minha opinião mudou radicalmente. A sua inteligência, a sua visão e a sua forma de ser e estar foram fundamentais para essa mudança.

Fica a saudade. Fica a memória. Para sempre. Adeus Jorge, até qualquer dia.

 

Fernando Moreira de Sá