Opinião Hélder Ribeiro: “PSD Maia em dificuldades”

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Exceptuando nas autárquicas, o PSD perdia sempre na Maia. No passado domingo foi diferente. O PSD ganhou no nosso concelho por escassíssima margem (0,6%). Como tentativa de explicação, poder-se-ia aventar que antes, quando perdia recorrentemente em eleições de âmbito nacional, seria por demérito do partido nacional e, por oposição, quando ganhava localmente isso se ficaria a dever ao mérito das figuras locais. Seja como for, o facto por demais evidente é que esta vitória tangencial não se ficará com certeza a dever em nada ao PSD Maia.

“Analisados os vários resultados eleitorais verifica-se que o CDS/PP tem o seu eleitorado próprio no concelho da Maia, é de esperar que o candidato, Álvaro Braga Júnior, pelo conhecimento profundo que deverá ter da edilidade maiata, venha a ser um excelente contributo para o debate político e o esclarecimento dos maiatos”

O PSD do engenheiro Bragança Fernandes experimenta sérias e manifestas dificuldades na preparação das próximas eleições autárquicas. Não nos vamos referir, como alguns poderiam pensar, às dificuldades de feitura das listas, problemas que são transversais aos partidos e envolvem sempre despeito e fulanização de alguns, mais interessados em si próprios que nos resultados do respectivo projecto político que dizem defender.

As dificuldades que o PSD Maia enfrenta são bem mais graves e reflectem o naufrágio do quadro político legado pelo falecido presidente. A liderança não tem prestígio, não tem carisma, não tem estratégia, não tem chama… nem futuro!

Senão vejamos.

1º. O aparecimento de uma verdadeira candidatura do CDS/PP (já que a de 1983 foi a brincar – basta ver que, nessa altura, o candidato do CDS/PP referiu na televisão que o melhor candidato era o do PSD), liderada por um peso pesado como Álvaro Braga Júnior, reflecte bem o desmoronar de um sistema que tem manietado a sociedade civil maiata nos últimos 20 anos.

Embora se perceba que enterrado o Boavista o candidato do CDS/PP já não tinha lugar reservado a auferir chorudo vencimento na Câmara da Maia, enquanto adjunto do Presidente, já que o lugar foi ocupado por um companheiro recente e, qual sina, dissidente do CDS/PP.

Analisados os vários resultados eleitorais verifica-se que o CDS/PP tem o seu eleitorado próprio no concelho da Maia, é de esperar que o candidato, Álvaro Braga Júnior, pelo conhecimento profundo que deverá ter da edilidade maiata, venha a ser um excelente contributo para o debate político e o esclarecimento dos maiatos.

Agora sim teremos oportunidade de ver quanto vale o eleitorado real do PPD/PSD e do CDS/PP e de clarificar o espaço político bem como os diferentes projectos.

Agora sim vamos, com natural curiosidade, assistir ao evoluir da composição da lista social-democrata para a Câmara Municipal, onde o Dr. Mário Nuno Neves já não terá lugar pois, sendo ele outro dissidente do CDS/PP, terá que entrar pela quota do Presidente da Câmara o que não será, convenhamos, fácil de explicar ao PPD/PSD maiato.

2º. As listas do PSD para as freguesias têm sido difíceis, com desistências, amuos e inúmeras dificuldades para conseguirem os 17 cabeças de lista necessários.

Veja-se, por exemplo, em Gueifães onde, depois de algumas tentativas falhadas se apresenta um candidato de recurso sem visibilidade e sem notoriedade cívica e política que se conheça.

Vila Nova da Telha é outro exemplo paradigmático. Então o PSD do engenheiro Bragança Fernandes, Presidente da Comissão Política da Maia, também não consegue arranjar candidato a Vila Nova da Telha? Numa freguesia onde tradicionalmente o eleitorado era maioritariamente social-democrata, o PSD Maia não é capaz de apresentar candidato, traindo assim até as compreensíveis e justas expectativas dos seus eleitores mais fiéis e, ao que consta, prepara-se para apoiar (dissimuladamente) um dissidente do PS, que já pretendeu voltar à sua família política de origem e que protagoniza um projecto pessoal, alavancado por desígnios que se desconhecem?

E, se não bastasse, também já aceitam renúncias de candidatos vencedores como a do Sr. Abílio Rodrigues de Sousa, actualmente presidente da Junta de Pedrouços?

Que se passa no PSD Maia? Será que se está a tornar num partido de dissidentes?…

3º. O PS está tranquilo e à espera!

O projecto da actual maioria esgotou-se e nem os 12 mil cabazes de Natal ou os passeios justamente oferecidos aos 9 mil idosos já lhe podem valer. Claro que o PS, por maioria de razão no contexto de profunda crise que o mundo atravessa, proporá não 12 mas 15 mil cabazes… mas para quem realmente necessite e não para a clientela partidária! Claro que o PS fará passeios com os idosos mas não procurará comprar votos ou instrumentalizar estas pessoas já de si tão fragilizadas.

Do que agora são já os despojos do projecto do falecido presidente, nascerá uma nova Maia, mais solidária, mais transparente, mais próxima dos cidadãos, sem lobbies e rumo ao futuro.

A Maia precisa de mudança, de novas ideias, de mais trabalho e de uma nova liderança.

Deputado Municipal do Partido Socialista

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