Opinião Luís Mamede: Inverso de Si. Por Nós

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Momentos intranquilos. A política levada a cabo pelos políticos, uns mais experiente que outros, outros vai acrobatas que os restantes, é feita de infernos de desinformação e de promessas sem sustento. Bem fez, enquanto pôde, a candidata do PSD à Assembleia da República que, no seu programa eleitoral, primou pela ausência de informação, a fim de poder defender a mensagem suprema da verdade oca.

O suposto falar verdade resultou de mestrias de sonegação das promessas. Não só por que permite esconder as fraquezas de avaliação da realidade do país por sector de governação, como sustenta as mensagens inócuas que para um leigo de banda curta resultam na perfeição. Se assim foi, agora não é. A candidata e o seu ‘staff’ teve de enfrentar debates e calcorrear em comícios, que afirmou que não fazia numa leitura moderna do fazer política e em afastamento puro dos cidadãos. Os tiros nos pés começaram a ser generosos e as sondagens reveladoras do afastamento ténue de posições. A imagem é penosa e o discurso de olhos postos nas meias de vidro não passa.

Os últimos acontecimentos de avanço e recuo do Presidente da República, com a demissão do assessor Lima, além do silêncio lamentável, não estão a ajudar os tiques da ‘asfixia democrática’. O desfecho no próximo domingo confirmará a escolha errada do PSD para combater o líder feroz, que só perderá para o bloco de esquerda.

Se assim é no panorama nacional, os programas eleitorais dos que estão no poder na esfera autárquica ressoam a embrulhos doces, de conteúdo trabalhado para a finalidade prevista. Os que desejam aceder ao poder reveste-se de conteúdos ‘simplex’. As mensagens são simples e socialmente aprazíveis. No fundo todas são tocantes nos princípios. Não havendo necessidades de desfocagem dos segundos nos problemas e das propostas concretas, nem dos enviesamentos das contabilidades dos primeiros.

Os cartazes do PSD aos órgãos do município têm cores animadas, com mudança das mensagens para não cansar – prática transversal a todos, e com referência a contabilidade de desempenho por área de selecção. Neste escolher dos domínios, os indicadores são lançados sem que os conceitos sejam expostos, mas de apreensão fácil pelo senso comum. Para não maçar pegava no painel dos resultados do Ambiente e do que resultou da leitura desfocada pelo movimento: totais de áreas verdes criadas e de árvores plantadas no último mandato, supõe-se.

Quem vive, vivo e não alienado, não encontra certamente os 150 ha de espaços verdes, nem as 11 mil árvores de arruamento plantadas. Além de não se perceber o conceito político de espaço verde e do regime de propriedade de promoção, a mensagem afirma que no Concelho temos mais 15 campos de futebol de espaços verdes de acesso público/colectivo. Acreditam? Digam-me objectivamente onde estão. Tirando o famoso e quase único, à data, parque de Avioso, existirão recantos, franjas e outras taças resultantes das áreas de cedência dos privados em operações urbanísticas, que sem garantirem área mínimas de desafogo e recreação, apresentam-se aos olhos chorosos como chãos verdejantes.

No tocante ao total de árvores plantadas, e para termos uma comparação, o universo de plantação afirmado representa 1/3 do total de arvoredo de arruamento e bosquete da Cidade do Porto. Acham razoável que assim seja? Eu não. O plano de gestão do arvoredo, a existir, não tem sido capaz de minimizar os inúmeros erros na colocação de árvores em caldeira exíguos e de resolver os problemas recorrentes pela escolha errada das espécies. Era preferível que dissessem que corrigiram o universo das existentes e que plantaram algumas com critérios de sustentabilidade. Inclusive, deduzo que a larga maioria foi assegurada pelos privados em obras de urbanização.

Momentos de gestão do silencio. Após o artigo escrito sobre a adesão do município da Maia à empresa de gestão em alta do Saneamento do Grande Porto – SimDouro, outro órgão da imprensa o fez ao focalizar a opção de adesão do município de Vila Nova de Gaia. Esta sufragada pelos órgãos municipais.

O espaço metropolitano só se acrescenta a Maia, não se percebendo, as reais razões de participação, quando a taxa de cobertura da rede é superior a 90%. A dinâmica de migração territorial é crescente, com tendência esperada de estabilização, onde além do silêncio do Presidente da Câmara, não são previstas práticas financeiras de retorno efectivo nos cofres dos consumidores. As explicações de mutualismo para com outros municípios com fraca cobertura da rede e capacidade de gestão das águas residuais, por si só, não chega, quando a gestão da malha mais fina continua a pertencer aos municípios – a menos onerosa para os passivos municipais – e todos pagarão à empresa os montantes a definir pelas quantidades de efluentes (esgotos) a tratar. A Câmara da Maia não revela as motivações de adesão, não leva à Assembleia a proposta – quando todos fala da pertença – e não assume politicamente e financeiramente a opção. Com a compensação financeira (indemnização questionável no montante) desconhecida, irá hipotecar a sustentabilidade infraestrutural e financeira do município – dinheiro de todos – e aplicará as verbas para outros fins que não em ‘Si’. Relembra-se a possibilidade de aumento dos tarifários, num hiato de tempo de concessão de cinquenta anos. Só se espera que o dinheiro sirva para liquidar dívidas a fornecedores sem apuramento das responsabilidades políticas; para reconfortar o passivo municipal dados os erros e outras opções de governação, e garantir os quantitativos que referem nos painéis de campanha.

Urbanista