Opinião Manuel Ferreira: “A demagogia política em eleições”

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Eis que rebentou a pré-campanha eleitoral para as autarquias locais. Em qualquer canto ou  esquina o que se observa, é já um desfilar de propaganda política  dos primeiros das listas, destacando-se, a que se refere a candidatos às câmaras municipais. É confrangedor ver, nesta propaganda, como os candidatos se apresentam e se expõem, sob o ponto de vista dos princípios, aos olhos de quem os vê, a troco de atrair o famigerado voto do eleitor.

Desde as fotografias, tirada em poses que se afigurem sensibilizadoras e comoventes para bem impressionar, até as palavras-chave que as ilustram, os outdoores mais parecem com  estes elementos progandisticos e eleitoralistas um autêntico espectáculo circense.

Atente-se que o circo não é uma tribuna de espectadores tristes, longe disso, as pessoas vêem o espectáculo e saem de lá, de uma maneira geral, muito bem dispostas por terem tido o grato prazer de terem visto desfilar tantos e tão diversos animais, e, sobretudo, por se terem divertido muito com os palhaços e restantes figuras.

É de todo o crível que depois destes anos todos que se seguiram ao 25 de Abril, o povo português já não se revê em sua grande maioria em toda essa propaganda como antes se revia, de uma forma sincera e esperançosa, mas vêem-na como mais uma farsa, um embuste a que se recorre para atingir o poder.

É chocante o facto de muitos destes políticos assumirem-se como sejam os próprios eleitores, reproduzindo sentimentos como se fossem eles, com a finalidade única de lhes extorquir o voto.

Por exemplo, o que é que se pode dizer deste slogan que já circula por aí: "pois é… em Gondomar, mandam os Gondomarenses".

Isto é o que se chama a mais pura das demagogias, porque os gondomarenses nunca pediram ao candidato para que falasse por eles. Mas muitos slogans do género como este se vêm no Porto e Grande Porto, bastando alguma atenção para os fixar e observar.

O político ainda não foi a votos e já está pressuroso a fazer um péssimo serviço à comunidade eleitoral a que pertence, porque faz todo o possível para usurpar-lhe a liberdade de optar livre e espontaneamente, coagindo-a psicologicamente  a votar em si próprio.

Num povo, com uma comunidade cívica e cultural de referência, todos este políticos useiros destes artifícios progandisticos em lugar de serem promovidos como esperariam, seriam penalizados pelos eleitores por falsearem a verdade, e por tentarem ludibriá-los.

Toda esta propaganda que existe por todo canto e esquina, pessoalmente, não me  diz nada e penso também que não dirá nada à grande maioria dos eleitores.

Os eleitores decidem o seu voto pelo que conhecem da pessoa do candidato, de ser capaz ou não capaz, de ser competente ou não competente, e nunca por causas aleatórias que não dizem nada, nem representam nada.

Quando se é capaz e competente, não é preciso clamar que o é, porque o povo sabe e tem disso conhecimento de causa.

Estes candidatos em lugar de nos outdoores exibirem frases que no fundo significam "eu é que sou o bom e outros não prestam" porque não traçam as benfeitorias que promoveriam no concelho no caso de serem eleitos?

Firmava-se como um compromisso público directo entre os eleitores e os candidatos sobre o programa que cada um destes candidatos se arrogava a realizar.

Esta forma de chegar aos eleitores, não seria nenhum ovo de Colombo, por ser francamente tangível para mentes vulgares, por isso, eu penso, que se alguém ainda não avançou com este processo, é porque, simplesmente, não quer, ou não está interessado.

É muito mais fácil e descomprometedor, dizer uma lérias para convencer incautos, do que ficar amarrado a compromissos.

As campanhas eleitorais tais como  estão, só servem para gastar dinheiro e cumprir calendário, uma vez que não cumprem o seu único propósito que é de informar o que cada um dos candidatos se propõe fazer, ganhando eleições.

Distribuir manifestos eleitorais através de caixas de correio não chega, é fundamental criar um vínculo público entre candidato e eleitor, de forma que ambas as partes fiquem comprometidas de forma séria e interessada no que a cada uma compete: a primeira honrar os compromissos assumidos, e a segunda escolher em consciência o seu melhor candidato.

Os portugueses estão fartos de fotografia, estão fartos de demagogia, pelo que só decidirão o seu voto, pela antítese de tudo isto: conhecimento, honestidade, e provas dadas.

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