Opinião Manuel Ferreira: “Governo de Sócrates: Esgotado e Vazio”

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Se mais não valesse, a moção do CDS/PP valeu para mostrar a verdadeira face do primeiro-ministro que vai estar nos derradeiros três meses antes das legislativas.

Atente-se à expressão por ele ultimamente muito reiterada: se pensam que vou mudar a minha personalidade estão enganados.

Uma grande confusão do primeiro-ministro, ninguém lhe pediu para que mudasse a personalidade. Sabe-se que a personalidade é uma coisa intrínseca da pessoa humana, estranha-se, pois, que um primeiro-ministro desconheça esta elementaridade.

Mas, de qualquer maneira, com tal infeliz dito, deu para perceber que o primeiro-ministro, vai continuar a ser o mesmo, isto é, com arrogância, com intolerância, com o "quero, posso e mando", que sempre o caracterizou.

Isto está-lhe na massa do sangue, isto está-lhe na sua personalidade.

Não, não era à sua personalidade que se referia a oposição, quando falava da sua intransigência, da sua teimosia, na acção do governo.

O primeiro-ministro queixa-se, muitas vezes, que a oposição não apresenta propostas alternativas à acção do governo, que critica por criticar, e que não passa disso.

Digo eu, é preciso ter desplante para dizer uma coisa destas, sabendo-se que o Partido Socialista, desde o primeiro dia da legislatura, sempre fez questão de chumbar toda e qualquer veleidade parlamentar da oposição na Assembleia da República.

O primeiro-ministro sempre fez questão de dizer, alto e bom som, que quem mandava era ele, porque só havia uma maioria absoluta que era a dele.

Parece que agora vem dizendo, numa fingida humildade, que devia ter explicado melhor aos portugueses as reformas que o governo fez.

O primeiro-ministro engana-se, o povo português não é burro, o povo percebeu  muito bem o alcance das reformas, e tão bem que percebeu que lhe deu cartão vermelho na primeira oportunidade que teve para mostrar o seu desapontamento e desgosto.

Tem feito eco alguma comunicação social, que o primeiro-ministro está esgotado, que já não é capaz de apresentar um projecto em que nele se reveja, na sua maioria, o povo português. Sem dúvida também creio que ele já está esgotado. Esgotado e vazio.

Esgotado, porque os grandes projectos de que fazia grande alarde estão todos a regredir, o TGV e o Aeroporto Internacional. Nem um nem outro terão efeitos práticos neste governo, ficando a decisão para o governo que sair das próximas legislativas. Vazio, porque a atrapalhação dele é tanta com a aproximação das legislativas, que só pensa disfarçar o mais possível os erros que praticou no decurso da sua governação, já não tendo cabeça para mais.

Penso mesmo que o Socratismo, está a chegar ao fim. As coisas, mesmo no interior do Partido Socialista, já não são o que eram, os socialistas já não olham para o seu secretário-geral da mesma forma como o olhavam, o olhar deles é, agora, mais questionador do que admirador.

A oposição está a um pequeno passo de ser chamada a formar governo. Caber-lhe-á anular, se ainda for a tempo alguns projectos economicamente demolidores para a economia nacional, e pacificar algumas classes de portugueses, de que o país tanto precisa, e que foram, injustamente, tão ignoradas e maltratadas neste quadriénio de governação.

Militante do PSD