Opinião Manuel Ferreira: “O PSD tem caminho aberto para ganhar as próximas legislativas”

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O resultado das Europeias anunciaram exactamente isso, através dos consistentes 5,1% em que nestas eleições conseguiu distanciar-se do partido do governo.

Estas eleições destinavam-se a escolher os representantes de Portugal para o Parlamento Europeu, mas foi de todo visível, ao contrário do que se seria desejável, que as diversas candidaturas optaram por escolher como grande tema de debate nacional, as políticas nacionais e não a política europeia.

Este é um facto indesmentível, e é com ele que interessa extrapolar para as eleições legislativas que aí vêm.

Os partidos, ao colocarem as políticas nacionais em primeiro plano do debate nacional, obrigaram, por assim dizer, os portugueses a votarem nessas políticas. E então, através dos votos expressos nas urnas, hierarquizaram o seu contentamento ou descontentamento segundo o partido que escolheram.

Disseram, naquelas eleições, tão-somente isto: que estão profundamente desagradados com o Partido Socialista e seu governo, e infundiram no PSD uma profunda esperança de vir a ser o vencedor das próximas legislativas e assim a constituir governo para a nova legislatura.

Não é de todo crível, que a escassos meses das Legislativas, o governo do Partido Socialista seja capaz de inverter o rumo da sua governação e bem assim capitalizar  a seu favor o descontentamento da maioria dos portugueses.

A reforçar ainda esta tese, está a obstinada teimosia do primeiro-ministro, que no rescaldo das eleições declarou que continuaria a governar, tal como tem governado, e que não abandonaria os grandes projectos, sublinhe-se o TGV e o novo Aeroporto Internacional, só porque perdeu as eleições.

Isto mesmo repetiu inúmeras vezes antes destas eleições para o Parlamento Europeu, o povo ouviu-o tantas vezes quantas repetiu, e o primeiro-ministro, teve agora a prova de que os portugueses não estão com ele nesses projectos, que bem poderão ser considerados megalómanos devido ao actual momento da nossa economia, por demais muito fragilizada.

Por outro lado os portugueses perecem estar de acordo sobre o mesmo assunto, com o PSD, e em particular com a sua presidente, que também repetidas vezes fez apelos ao primeiro-ministro para renunciar a esses projectos em virtude de Portugal não estar minimamente preparado para o impacto que tais projectos causariam na economia nacional e no nível de vida dos portugueses.

Portanto, segundo parece, o primeiro-ministro, secretário-geral do Partido Socialista, está disposto a imolar-se perante os portugueses, na defesa dos seus princípios, da sua teimosia, da sua arrogância, e da sua sobranceria.

Ao PSD, face a este quadro, apenas caberá mostrar ao universo dos portugueses que é alternativa credível ao Partido Socialista, não através de mistificações retóricas, mas pela apresentação pública de projectos que possam vir a ser uma mais valia para Portugal e para a vida dos portugueses.

Diga-se, que a responsabilidade do PSD subiu perante o país e os portugueses, ao ser o partido mais votado nestas eleições, porque parece ser liquido que os portugueses estarão dispostos a dar-lhe o beneplácito político que o legitime a ser governo de Portugal para a próxima legislatura.

O Partido Socialista falhou como governo, o PSD não pode falhar como candidatura credível a formar o próximo governo de legislatura de Portugal.

O PSD deve aos portugueses o renascimento do sonho e da esperança, por isso, terá que fazer tudo por merecer esta confiança, pela qualidade do projecto de legislatura que apresentar aos portugueses.

Militante do PSD