Opinião Manuel Ferreira: “Um caso de informação infeliz da TVI – O caso Freeport”

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A suspeição que existe contra o primeiro-ministro de Portugal chegou ao seu ponto limite no caso Freeport, cada segundo que decorrer, daqui em diante, terá sempre custos muito elevados, para a sua vida, com especial destaque para a sua vida política.
O que está acontecer com o primeiro-ministro, muito recentemente, é injusto porque, em certa medida, ele já está a ser julgado antes de, propriamente, de o ser, de facto.

 

É evidente que houve uma intenção de prejudicar o primeiro-ministro, com aquela divulgação da TVI em que Charles Smith teria chamado ao Eng.º Sócrates corrupto.
Acho que não deve valer tudo na guerra das audiências, é positivo e até saudável que haja concorrência entre os canais emissores, mas tudo deve confinar-se à qualidade da comunicação e da informação que chega ao conhecimento dos portugueses.
A TVI sabendo da importância e do melindre do processo em causa, não devia ter optado por este processo de informação, que não ajuda em nada a justiça e só agrava mais o que os portugueses já pensam dela.
O primeiro-ministro tem todo o direito de se sentir indignado e injustiçado, e por isso, compreendo e aceito que intentasse um processo-crime contra a TVI.
A Procuradoria-Geral da República julgo também que tem boas razões para se sentir incomodada com a TVI, dado que, com toda a certeza, este procedimento não vai ajudar em nada o apuramento da verdade, antes vai ainda dificultá-lo.
Vivemos num país em que vale quase tudo, sendo a comunicação social, mais propriamente o sector jornalistico, um paradigma disso mesmo.
O jornalista, de uma maneira geral, já não se preocupa muito com a qualidade da informação, ou antes confunde qualidade com impacto de informação.
Pergunto eu: – O código deontológico do jornalista permite que se faça esta confusão? Os portugueses não pensarão duas vezes na qualidade da informação que lhes entra todos os dias pela casa dentro por estes órgãos de comunicação social? – Não haverá urgência em acabar com este ambiente de desinformação e de dano público?
Claro que há.
Deixo, portanto, aqui como cidadão deste país, o meu mais veemente apelo ao Presidente da República, aos deputados da Assembleia da República, e à Procuradoria-Geral de República, para que, dentro das competências que lhes são devidas, decididamente intervenham, processualmente, para que não seja mais possível a repetição destes casos, que só prejudicam o sentido e o desenvolvimento da justiça, quer no foro individual, quer no foro colectivo.

Manuel Ferreira

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