Opinião Maria Alice Felgueiras: “A Educação – hora da mudança”

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A educação é, sem sombra de dúvida, a trave-mestra sobre a qual se alicerça todo o futuro de um país. Só ela pode catapultar um povo para níveis superiores de desenvolvimento. Não é por acaso que todos os governos, cientes de que a educação funciona como alavanca desse progresso, lhe conferem especial relevância, sobretudo em períodos eleitorais. Porém, as políticas implementadas, à revelia dos seus principais agentes, não têm surtido os efeitos desejados e, por isso, os resultados têm ficado muito aquém das expectativas.

Para que haja um salto qualitativo nesta área, urge a revisão de alguns diplomas legais que não só vieram adulterar as práticas, como criar clivagens no seio dos que, à partida, deveriam ter os mesmos propósitos – professores e encarregados de educação. Só motivando e valorizando o desempenho daqueles e mobilizando as vontades e os saberes de todos, será possível traçar-se um rumo consequente, capaz de conduzir a resultados positivos e gratificantes para todas as partes envolvidas. A aposta tem de passar indubitavelmente por um maior enfoque nos recursos humanos e não tanto pela instalação, nas escolas, de equipamentos modernos e sofisticados que, embora úteis, devem ser encarados como meros recursos e nunca como uma panaceia para os males de que enferma a educação.

Este papel mobilizador cabe também à autarquia, no âmbito das funções que lhe estão acometidas, através da promoção do diálogo entre os vários actores educativos e da valorização dos actos de aprender e ensinar. É necessário que os diversos agentes tomem consciência dos seus papéis, para que seja possível coordenar esforços, valorizar práticas e colmatar défices.

Mas a intervenção autárquica não pode ficar restringida apenas a essa procura de concertação. É preciso que, simultaneamente, elabore e concretize um projecto educacional abrangente, ousado, criativo e exequível pois, só assim, merecerá a credibilidade social. Prometer e não cumprir desacredita e enfraquece. Impõe-se, por isso, uma enorme coerência entre o programa e a sua concretização, bem como o máximo rigor na sua gestão, para que a obra surja de forma sustentada e de modo a não comprometer o futuro das gerações vindouras.

Nova abordagem

Esse programa tem de, em primeiro lugar, diagnosticar as necessidades, os interesses e as expectativas da população, para que possam ser identificados os domínios de intervenção e, posteriormente, definir rigorosamente objectivos e metas, proceder ao levantamento exaustivo de todos os recursos – humanos, financeiros, materiais e logísticos – gizar estratégias adequadas, assim como ponderar a relação entre as actividades a implementar e o seu benefício-custo. Se é verdade que “o caminho se faz caminhando”, não é menos verdade que uma programação rigorosa e adequada pode ajudar à definição dos percursos educativos.

No que à sua implementação diz respeito, esta deve pautar-se pelo rigor, isenção e equidade e, em circunstância alguma, ter por base interesses que, em vez de servirem a educação se servem dela. Tem de mobilizar os mais capazes e sobretudo aqueles que, movidos apenas pelo desejo de contribuírem para o bem público, se disponibilizam, cooperando com o seu trabalho, empenho e determinação. Quaisquer medidas avulsas e pontuais jamais produzirão resultados consistentes.

Também as escolas, enquanto espaços privilegiados de educação e formação, têm de apostar mais na qualidade e de se abrir ao meio, promovendo a troca de experiências entre os diversos intervenientes e cedendo os seus espaços para a realização de actividades que se possam revelar como enriquecedoras para a comunidade em geral.

A educação não pode continuar a ser tarefa adiada. Tem de cumprir-se hoje, com empenho e dedicação porque, amanhã, pode ser tarde. É urgente implementar NOVAS IDEIAS que permitam criar uma nova dinâmica operativa. É imperioso actuar de forma célere na resolução dos problemas emergentes. É possível, com rigor e mais trabalho, fazer melhor pela educação do nosso concelho. A Maia merece uma nova abordagem, em termos de educação, mais actuante e consistente. Os maiatos exigem-na.