Opinião Mário Duarte: “Um Mau Exemplo”

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É justamente este tipo de comportamento protagonizado por alguns “políticos” que me desilude. Não sendo capazes de fazer política pela positiva, de construir alternativas inovadoras e autónomas, ficam apenas preocupados com o lugar ou lugares que numa dada circunstância poderão perder

Nos últimos tempos, conhecidas que foram as candidaturas separadas do PSD e do CDS-PP às próximas autárquicas da nossa Maia, eis que várias vozes socialistas e democratas-cristãs maiatas se ergueram em uníssono contra a governação local, considerando o mandato que agora está a chegar ao seu termo, como o “pior de sempre”.

Quanto aos socialistas, já estamos habituados e até compreendemos. À excepção do período pós-revolução, sempre foram Oposição, às vezes não se sabendo muito bem a quem!..e continuarão a ser. Mas, já em relação à posição dos democratas-cristãos, qualquer observador razoável não deixará de se interrogar, dada a sua incoerência e contraditoriedade. Pois, das duas uma: ou trata-se da libertação de um qualquer recalcamento inconsciente como compensação de frustrações passadas, ou então é apenas um tiro no pé, que nada beneficia uma força política, que apesar de ser um “partido de franja” sempre conquistou o seu espaço de cabeça erguida, sobretudo quando foi liderado por homens de craveira ética e intelectual superior como o Professor Freitas do Amaral.

É justamente este tipo de comportamento protagonizado por alguns “políticos” que me desilude. Não sendo capazes de fazer política pela positiva, de construir alternativas inovadoras e autónomas, ficam apenas preocupados com o lugar ou lugares que numa dada circunstância poderão perder. Descontrolados, atacam de forma cega, mesmo aqueles que foram seus companheiros de longa jornada, que, no caso da Maia, conta cerca de três décadas, em vez de dizerem de forma clara, quais as verdadeiras razões porque tendo colaborado com um projecto político durante mais de trinta anos, chegam de um momento para o outro, à brilhante conclusão que, afinal, o projecto nunca prestou, pois dizer-se que “este mandato foi o pior de sempre”, é a mesma coisa que dizer que todos os anteriores foram maus!…

É esta ausência total de coerência e de verdade que põe em causa a crença na Democracia e nos partidos políticos, ao transformarem a Política num mero jogo manipulador da conquista do Poder a qualquer preço. A Responsabilidade é a outra face da Liberdade. Quem não domina os seus instintos e ambições mais primários, normalmente torna-se agente de comportamentos irresponsáveis e não pode gozar de Liberdade, ficando prisioneiro de um determinismo natural ao perder o controle da vontade. Estas situações são, infelizmente, cada vez mais frequentes. Por consequência a exigência de ética na política, sempre foi, e continuará a ser, a minha primeira preocupação.

Já não sou propriamente um jovem, mas preocupa-me muito o futuro da Juventude, sobretudo quando os jovens ficam prisioneiros de falsos valores e de interesses pessoais, que são a negação dessa nobre actividade do Espírito que é a Política como serviço público.

Os mais velhos têm a obrigação moral de serem exemplos edificantes para os mais novos. Não foi isso que aconteceu com o anúncio da candidatura do cabeça-de-lista do CDS-PP à Câmara Municipal da Maia. Foi exactamente o contrário que ocorreu, como todos puderam comprovar pelos efeitos que provocou. Foi um mau exemplo. Lamento.