Opinião Mário Silva: Instituto Cultural da Maia: A Obra e a Gratidão

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Um grupo de alunos do Instituto Cultural da Maia faz seu o sentir de todos aqueles (e que são a maioria) que com surpresa e consternação tomou conhecimento do afastamento do Dr. Raul Cunha e Silva e da Dra. Lurdes Graça Cunha e Silva da direcção do Instituto Cultural da Maia, cargo que exerciam desde a fundação.

O ICM tem seis anos de vida, nasceu em Abril de 2003. Qual arroio frágil e minúsculo que vai fazendo o seu caminho, vencendo obstáculos, adquirindo pujança até chegar ao oceano, assim o ICM inicia o seu percurso com apenas três dezenas de alunos e não possuindo casa própria vai tacteando na procura do seu espaço, para finalmente em 2009 a sua população escolar se aproximar das duas centenas, ter instalações próprias e culminar com o prestígio de ter adquirido o estatuto de instituição de utilidade pública, concedido pelo Conselho de Ministros.

Se de 2003 a 2009 as actividades se vão diversificando com a chegada de novos alunos, também as dificuldades para conseguir espaços adequados à sua concretização se avolumavam. Andámos por “Seca e Meca”, desde o Fórum Jovem à Casa do Alto, do edifício da Junta de freguesia da Maia aos Combonianos. Numa semana podíamos ter aulas em seis espaços diferentes. Daqui se pode concluir o significado de finalmente termos a “nossa casa” – concentração das actividades, melhor gestão, mais união, mais qualidade, possibilidade de ampliar os currículos adaptando-os finalmente ao público alvo.

Como foi possível chegar aqui? Tão simples como isto: porque há vontades que não se domam

Foi graças à persistência, teimosia, espírito de bem-fazer e competência do Dr. Raul que o ICM obteve o estatuto de instituição de utilidade pública. Foi graças à coragem, determinação e espírito de luta do Dr. Raul que o ICM possui hoje instalações próprias.

O caminho está traçado, os objectivos foram alcançados, o regato de ontem é hoje o rio caudaloso que abraça o oceano!

Então por que é afastado o presidente do Instituto Cultural da Maia? Porque trabalhou, porque foi competente, porque abnegadamente dedicou todo o seu tempo ao serviço da comunidade, porque é um prazer ouvi-lo nas suas aulas, porque é agradável com todos e amigo de todos? E o que dizer da nossa Directora Pedagógica, a Dra. Lurdes Cunha e Silva?

Temos tanto para dizer, contudo condicionalismos há que nos obrigam a ser sintéticos. No dia a dia era a alma do ICM já que a sua acção se exercia no plano afectivo, humano e pedagógico.

Afectivamente: sempre connosco, uma presença constante, uma palavra agradável, uma disponibilidade total para ouvir e dar. Humanamente: uma sensibilidade apurada pronta a intervir no momento certo, resolvendo problemas, criando um clima de inter-ajuda.

Pedagogicamente: competência e rigor na programação e concretização das actividades do ICM: convívios, visitas culturais, organização e participação em seminários, horários, gestão dos espaços, contactos com diferentes entidades, extraordinária capacidade de trabalho, coordenando simultaneamente vários eventos.

Além destas qualidades a Dra. Lurdes é dotada de espírito de missão. Adiou projectos de investigação, actividade de que tanto gosta, para se entregar totalmente aos alunos e professores do ICM.

Interrogamo-nos: que valores estão por trás do seu afastamento? Há momentos em que até a sombra de certas árvores incomoda! Não compreendemos, não fomos ouvidos (e os alunos são uma parte fundamental do Instituto)! Pelo muito respeito que nos merecem, queremos aqui deixar expressa a nossa gratidão, amizade e reconhecimento pelo que recebemos neste Instituto (I.C.M) através deles, Dr. Raul Cunha e Silva e Dra. Lurdes Graça Cunha e Silva.