Opinião Paulo Jorge Rodrigues: Biodiversidade Urbana na Maia: Utopia ou Realidade?

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A Assembleia-Geral das Nações Unidas declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade, com o propósito de aumentar a consciência sobre a importância da preservação da biodiversidade em todo o mundo.

Este objectivo foi definido após constatação de que as populações das espécies animais e vegetais na EU continuam a degradar-se porque os seus habitats têm sofrido uma contínua deterioração que tem por base acções de desenvolvimento mas que colidem com a efectiva e necessária protecção ambiental.

Refiro-me, por exemplo, às diferentes construções de habitação ou empreendimentos, às auto-estradas e vias-férreas ou mesmo a intensificação agrícola.

É efectivamente um desafio que todos devemos tentar alcançar. Este equilíbrio entre o desenvolvimento necessário e a salvaguarda dos recursos naturais e culturais.

Da mesma forma que referi, em artigos anteriores, que a cidade deve posicionar-se para fazer frente ao desafio das alterações climáticas, também considero que as cidades e regiões têm um papel preponderante no combate à desertificação e depleção da biodiversidade.

Não vou tecer grandes considerações ou definições do que é a Biodiversidade. Vamos entender a Biodiversidade como a variedade e a variabilidade existente entre os organismos vivos e as complexidades ecológicas nas quais elas ocorrem e que inclui ecossistemas, comunidades, espécies, populações e genes numa área definida.

Numa primeira análise e olhando para a cidade da Maia poderíamos dizer que a Biodiversidade desta cidade está a diminuir, que este decréscimo é resultado de efeitos antropogénicos e que tendencialmente, a biodiversidade existente na Maia tenderá a diminuir.

Mas será que está afirmação é realmente verdadeira?

Pessoalmente penso que a Biodiversidade Urbana pode efectivamente ser um factor de atractividade de competitividade entre diferentes cidades e regiões!

O leitor pondere qual seria o potencial turístico de uma cidade com espaços verdes ricos em aves e borboletas? Quanto vale o nosso património de espécies de plantas aromáticas e medicinais existentes nas hortas e jardins urbanos? Qual o valor humano e social de o cidadão comum se envolver e ser envolvido pela natureza dentro da sua cidade?

Sim, efectivamente a Biodiversidade Urbana é um factor de competitividade para as cidades e regiões.

Mas a Biodiversidade Urbana não são áreas relvadas em ‘perfeitas condições’ – isso são autênticos ‘desertos verdes’, sem qualquer interesse para a fauna e flora silvestre, com índices mínimos de Biodiversidade;

A biodiversidade são as linhas de árvores das avenidas e alamedas, onde mesmo as espécies não nativas, podem fornecer abrigo e pontos de repouso a aves e insectos. São as copas das árvores que contribuem com sombra e agem como filtro biofísico de poluição; São os Pátios das escolas, colégios, mosteiros, igrejas, feiras ou qualquer outra área que muitas vezes possuem árvores antigas.

Na Maia

No fundo, Biodiversidade é uma definição mais abrangente, mais complexa, que inclui os organismos e estruturas vivas e não-vivas que são e suportam a vida na cidade.

E aí meus caros e comparativamente com outras cidades e regiões a Biodiversidade na Maia tem crescido, tem aumentado e não precisamos de indicadores de sustentabilidade para o comprovar! Aliás, a Biodiversidade melhora os índices de sustentabilidade das cidades.

Efectivamente a Maia tem uma ancestralidade ligada a agricultura e aos espaços verdes e naturalmente que com o crescimento da polis estes espaços têm diminuído.

Mas a Estrutura Ecológica da Maia assim como o conjunto de políticas e acções de desenvolvimento urbano têm reflectido uma real protecção do ambiente e da Biodiversidade.

São exemplos recentes disso os diferentes conjuntos de hortas urbanas que proliferam (e esperemos que continuem a proliferar) na Maia, são exemplos disso os esforços desenvolvidos em conjunto com outros municípios para a limpezas do rio Leça e ribeira do Arquinho ou a Rede de Parque Verdes que foram desenvolvidos por todos o concelho. São muitos os exemplos desenvolvidos no nosso concelho em prol de um aumento da Biodiversidade.

Posso afirmar que o Parque de Avioso é hoje um exemplo claro de um parque urbano que privilegia a biodiversidade e que, nessa perspectiva, é um exemplo.

Penso no entanto, que a Câmara da Maia deveria traduzir todo este esforço que tem realizado por todo o concelho num documento que congregasse esta estratégia. A sua Estratégia de Protecção de Biodiversidade. É importante para nós, cidadãos integrarmo-nos num plano quando compreendemos toda a sua abrangência. É mais fácil para os autarcas integrarem políticas e acções quando analisam o seu efeito de rede e é, acima de tudo, clarificador para alguns que não compreendem a globalidade do processo, a complexidade das decisões e não perspectivam um futuro sustentável para a Maia.

À Câmara Municipal da Maia cabe, especialmente neste ano de 2010, um desafio central de proteger e melhorar as actuais condições da Biodiversidade Urbana, aumentando os níveis de consciência pública para esta necessidade, através do esclarecimento de como esta funciona para melhorar a saúde e qualidade ambiental da Maia.

A nós, Maiatos caberá o papel de reconhecer que devemos coexistir com a Natureza e que os espaços verdes serão importantes para fomentar a Biodiversidade e melhorar as condições de vida Humana.

O ambiente urbano da Maia deverá ir ao encontro das necessidades de vida quotidianas, hábitos de consumo e processos de negócio em harmonia com a Natureza.

Todos temos o direito de usufruir destes bens naturais e todos temos a obrigação de participar na sua protecção e recuperação.

Utopia ou Realidade?

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