Opinião Victor Dias: A Música que nos toca

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No feriado municipal, tive o grato prazer de dirigir o Coral Infantil Municipal dos Pequenos Cantores da Maia, numa actuação integrada na cerimónia de homenagem aos funcionários municipais que completaram 25 anos de antiguidade ou que se aposentaram em 2012.

Foi com imenso orgulho que pude partilhar de um momento muito especial, em que os meus colegas foram muito dignamente agraciados com uma medalha, com a qual o Executivo Camarário, quase todo ele ali presente, quis assinalar o seu reconhecimento público, pelo empenho, dedicação e sentido do dever, com que aqueles funcionários cumpriram as suas missões.

pcm

Depois dos Pequenos Cantores da Maia terem interpretado o Hino da Maia, o Presidente Bragança Fernandes, solicitou que fosse cantada a Ave Maria de Franz Schubert, peça clássica que já ouvira por diversas vezes, e que, segundo o seu testemunho, era sempre motivo de grande comoção e lembrança de sua saudosa mãe. Ali, o Presidente Bragança Fernandes quis dedicar a Ave Maria, a todas as mulheres e mães presentes no parque de Avioso.

Embora não fizesse parte do programa, mas atendendo ao pedido emocionado do seu Patrono, os Pequenos Cantores da Maia, mormente, através da solista que empresta a sua voz a esse grande clássico, a pequena Flávia, cantou completamente “acapela”, quer dizer, sem rede, ou nenhum tipo de acompanhamento instrumental, logrando uma interpretação muito emocionante.

Alguém de entre os membros do executivo dizia: – parece um anjo…”.

Foi de facto um momento único, de uma interpretação irrepetível, em que a afinação foi perfeita e irrepreensível, a colocação da voz, totalmente natural e o timbre, como alguém me segredou: – “…arrepiante…”.

Bragança Fernandes, visivelmente emocionado, afagou a pequena cantora e deu os parabéns a todas as crianças do Coral que não se cansa de nomear como a verdadeira embaixada cultural da Maia.

Reconhecendo que pode haver toda a reserva quanto ao que aqui escrevo, considerando a minha condição de Maestro deste coro, facto que aceito com toda a normalidade, declarando os meus interesses pessoais neste projecto que me orgulho de dirigir desde a sua fundação, não posso deixar de referir este momento musical e profundamente emotivo, como um daqueles eventos únicos e irrepetíveis que elevam qualquer manifestação musical, à sua condição de Arte.

Por fim, uma nota muito curiosa que também gravei na minha memória. Refiro-me ao interesse e carinho demonstrado pelo Vereador da Cultura, Mário Nuno Neves, que foi mesmo o primeiro a felicitar a solista, assim que ela defendeu brilhantemente o Hino da Maia.

A vida é feita destes pequenos nadas que, pelo menos para mim, têm um enorme significado e valor emocional, porque este é o lado melhor das pessoas e no caso concreto do Patrono dos Pequenos Cantores da Maia, Bragança Fernandes, é indubitavelmente aquele que mais me cala fundo, o seu lado afável e acolhedor.

Victor Dias