Opinião Victor Dias: O baronato do PSD

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Numa altura em que Manuela Ferreira Leite está de saída, o baronato do PSD já saiu a terreiro para barricar qualquer tentativa de disputar a liderança que não seja do seu agrado.

Paulo Castro Rangel, pessoa por quem eu nutro respeito e admiração intelectual, assumiu numa entrevista à RTP, o papel de principal pivot dessa estratégia dos barões, supostamente notáveis da actual direcção do partido.

Confesso que fiquei um pouco desiludido com Paulo Rangel e deitando mão de uma das suas expressões, considero que o autêntico e genuíno ADN do PPD/PSD, não inculca no seu código genético, esta forma de condicionar o debate e o direito de todos os militantes, a candidatar-se a qualquer lugar no partido. Não esperava que um homem inteligente como Rangel, se desse a uma figura destas, mas enfim, admito que talvez haja alguma coisa que me está a escapar.

No momento presente, o PSD tem uma enorme responsabilidade sobre os seus ombros, a de se pacificar, de se entender sobre o que quer para Portugal, e nesse contexto deixar que apareçam e se debatam livremente, as orientações programáticas, das putativas candidaturas que nesta fase não devem ser fulanizadas, considerando que esse processo é sempre empobrecedor e limitador do debate político. Se nos deixarmos enrolar na tentação de passar o precioso tempo a discutir nomes, vamo-nos distrair com aquilo que é neste momento essencial.

Um partido das pessoas, popular e democrático

Não tenhamos medo de assumir que o nosso partido é popular e democrático, isso mesmo PPD e que a social-democracia é a nossa matriz ideológica fundamental.

A sua tradição é de uma riqueza interclassista, onde todas as pessoas, independentemente da sua origem social, cultural ou do seu poder económico, têm o direito de exprimir livremente as suas ideias, de ir à luta por elas, de ganhar ou perder e no fim, estar sempre do lado da Liberdade e da Democracia, nos combates que o partido enfrenta.

Venham à Maia aprender

Já o disse algumas vezes e não me canso de repetir, venham à Maia e aqui vão aprender como o PPD/PSD é popular e democrático. Ainda recentemente o líder da distrital, Marco António Costa, aqui esteve, com toda a humildade democrática, para agradecer aos maiatos e aos militantes, a estrondosa vitória que o partido, pela mão de Bragança Fernandes, obteve no concelho, averbando a mais expressiva e emblemática vitória autárquica do PSD, a nível nacional, conseguida sem coligações ou concessões.

A meu ver, o líder da distrital, inteligente e hábil como é, compreendeu e apreendeu sem qualquer complexo, a forma de estar e fazer política que caracteriza o nosso líder local que não rejeita ninguém, ouve e considera quem tem de ouvir e aproveita o que julga útil à sua liderança, facto que lhe confere um carisma invejável.

Vi Marco António Costa como um pupilo atento e muito interessado em seguir os ensinamentos, de um saber feito de prática e experiência, que naquele momento lhe era transmitido pelo mestre Bragança Fernandes.

Estou convencido que não vamos ficar por aqui, ainda havemos de ver outros notáveis, por estas bandas, a beber do saber de experiência feito.

Haja juizinho

Espero sinceramente que haja juizinho e que o baronato, acantonado na sede nacional, tenha sempre presente a matriz do partido e não continue a condicionar o debate daquilo que é essencial.

Convém não esquecer que o partido pode, a qualquer momento, ser chamado a exercer responsabilidades governativas, tendo primeiro que conquistar a confiança dos portugueses, conquista para a qual, não seria nada bom, vir para a praça pública, fazer uma batalha campal entre candidatos.

A diversidade de opiniões e o debate livre e leal é imprescindível, para que os militantes percebam com toda a clareza, o pensamento e o projecto de cada candidato a líder, para então, decidir conscientemente e libertos das redutoras lógicas, de fulanização da política.

De todo o modo, importa reter que, para já, só Pedro Passos Coelho se assume frontal e claramente como candidato à liderança, todos os outros, apenas se constituíram como seus opositores e apoiantes de um candidato que só o será, se for levado ao colo, ou em ombros, pela grei de uma unidade que o mesmo quer anunciada, ou seja, o Professor só lá vai, com passadeira vermelha, aplausos e vénias de gratidão, por ser o único capaz de cimentar uma sólida união.

Confesso que até concordo com o conceito, mas na verdade, a unidade no seio do PPD/PSD só é possível, no respeito e valorização da diversidade de ideias. Enquanto as pessoas não perceberem que é desta argamassa que se pode dar consistência a uma liderança forte, amplamente representativa, estável e credível, perante o país e os militantes, estaremos a perder tempo e a gastar energias preciosas.

Todos juntos, nós os sociais democratas convictos e militantes, valemos incomensuravelmente mais do que qualquer putativo candidato, quer tenha mais ou menos barões no seu séquito, porque não é disso que o meu PPD/PSD vive e continua a ser o maior e mais popular partido de Portugal.