Opinião Victor Dias: “O “case study”: Edward Kennedy”

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No nosso tempo é difícil encontrar um político da dimensão do Senador Edward Kennedy, cuja carreira, com mais de 50 anos foi sobretudo marcada por uma linha de actuação suportada por princípios éticos e morais.

Edward ajudou a edificar o mito Kennedy, embora o tenha feito ao arrepio do pensamento do seu pai, o Patriarca Joseph Kennedy que tinha um entendimento da política, como alguma coisa que o poder económico, as influências sociais e a capacidade de fazer lobby se afirmavam verdadeiramente como as qualidades essenciais para alcançar o poder, exercendo-o como se estivesse a conceder aos concidadãos o privilégio de serem governados por uma elite que se dispunha a facultar o seu tempo, a sua inteligência e, porventura até, uma certa predestinação. Enfim, uma visão que, apesar dos pesares, encontra ainda, por aí, muita militância.

Tal como seu irmão Robert que foi Secretário de Estado, desempenhando missões de enorme relevo na América do início dos anos 60, Edward Kennedy foi a consciência do “idolatrado” Presidente JFK, a quem ligavam, para além dos laços de sangue, uma espécie de interdependência crónica, sendo que o lado mais carente estava sempre em John, talvez pela pressão de ser o Presidente da América, numa época conturbada, em que os telefonemas surgiam a meio da noite, para exigir decisões que faziam tremer o Mundo.

Ao que se sabe e a História recente, já pensa que pode revelar, Edward foi sempre o “number one”, pronto a descolar de onde estivesse, para ser o ombro amigo do Presidente e do outro irmão, para opinar com a sapiência e o bom senso que, ao que “parecia” não era o que mais imperava nos States de então, com espionagem, ficção e muito romance à mistura.

O Senador Edward, Católico e, mormente, senhor de uma temperança e sensatez à prova de quase todas as provocações, tentações e assédio de toda espécie, conquistou por mérito próprio, um lugar ímpar na política americana e no Mundo.

O seu capital humano constituía-se de Honorabilidade, Credibilidade e Bom Carácter, qualidades intrínsecas que fizeram dele, não apenas mais um senador, mas o Senador que só não chegou a candidato à Presidência da América porque era um homem, com as fraquezas e fragilidades que também caracterizavam os rapazes do clã Kennedy, um clã de paixões repentinas e assolapadas que nem sempre deram os melhores resultados, mas que lhes conferiam a humanidade de que eram feitos.

Com o seu desaparecimento, a América perde uma figura de Estado e um referencial de ética política, um diplomata e mediador nato, um dos poucos políticos capaz de estabelecer pontes, entre margens longínquas, passando por cima de águas revoltas, graças ao seu bom feitio, senso de humor, tolerância e enorme inteligência política, para compreender a essência matricial da América e o seu lugar no Mundo.

Para que tenhamos a noção do peso político e da alta consideração de que era credor por parte do povo americano, basta pensarmos que em grande medida, Barak Obama lhe ficou a dever a sua eleição como Presidente dos Estados Unidos.

Quem se interessa pela História e pelo pensamento político vai encontrar na vida de Edward Kennedy, na sua acção e pensamento político, um rico património ideológico, moderno, pragmático, liberal qb e quanto necessário, mas sempre timbrado por um elevado sentido da ética e da moral, para quem, os fins nem sempre justificam os meios – excepto quando os fins se chamavam EUA!?…