Opinião: Victor Dias: O problema

0
91

Estamos fartos e já pouco adianta carpir as nossas mágoas. É chegado o tempo de olhar para a realidade, reflectir sobre ela e procurar em nós próprios a resposta, ou seja, procurar o meio, a forma e a substância, como cada um de nós, pode dar um contributo válido para sair desta situação pantanosa em que Portugal se encontra.

Esse exercício de cidadania devia ser praticado por todos os portugueses, com maior empenho e responsabilidade, por parte dos detentores de cargos públicos, sejam eles de natureza política, ou da administração do Estado, nas suas inúmeras, distintas e independentes áreas.

As pessoas de bom senso que estão realmente preocupadas com a incompetência e falta de categoria dos nossos políticos, e muito em particular dos que nos governam, já há muito perceberam que não estamos bem servidos e que com esta gente, não vamos lá de jeito nenhum. Esta gente não é, nem será nunca, parte da solução, bem pelo contrário, é nesta gente que reside verdadeiramente, o problema.

Esta gente começou por apoderar-se do próprio Partido Socialista, tomando-lhe as rédeas, os freios, as rodas, toda a atrelagem e até o coração dos cavalos, levando-os por veredas e caminhos sinuosos, nunca antes cavalgados, ao ponto de fazer do PS, um partido totalmente irreconhecível, quer para os portugueses, como para os próprios socialistas.

Esta ocupação e consequente apropriação de toda a máquina do PS, já contaminou, como todos percebemos há muito tempo, o próprio Estado, confundindo-se muito a miúdo, com a máquina do partido, ficando difícil saber, onde começa e acaba o PS e onde se entra no domínio público do Estado.

Muito para além do problema da crise económica, financeira, política e social, há um problema muitíssimo grave que urge resolver e que nem sequer é difícil de diagnosticar, porque infelizmente os sintomas estão por todo o lado, na economia, na educação, na saúde, nos média, enfim, há sinais bem visíveis por toda a parte.

Constâncio seguiu os passos de Barroso e pôs-se a mexer, segundo ele “…amargurado…”, será que é por deixar as mordomias de ser governador de um estado chamado Banco de Portugal, ou será que o homem ainda tem consciência e pesa-lhe o facto de nos deixar nesta situação e, como dizem os adolescentes, “basar” para a vice-presidência do BCE?…

Tenho a nítida impressão que estes senhores, devido ao acesso privilegiado que têm a toda a informação classificada, sabem muito melhor do que nós que o barco já está a meter água por todo o lado e começa a afundar-se e, claro, como sempre, os tais bichinhos são os primeiros a abandonar a nau…

Bem, mas de facto, a meu ver, o verdadeiro problema do país tem um nome: José Sócrates!…

Reconheço que o homem tem imensas qualidades de liderança e dava um grande governante, mas não aqui na Europa. Se pensarmos bem, compreenderemos as razões pelas quais o nosso primeiro se dá de abraço com Hugo Chaves, o grande arauto das democracias sul-americanas.

Sócrates seria excelente a governar numa qualquer Venezuela. Aí nem precisaria de usar o telefone, mandava fechar os canais de televisão de opinião livre, calava as rádios independentes e prendia os jornalistas que lhe não fossem favoráveis ou amistosos e tudo seria mais fácil. No fim, ainda se apresentava ao povo como uma vítima dos jornalistas e da oposição.

É verdade que, como todos os problemas sistémicos e contagiosos, vai ser dificílimo tratar e resolver eficazmente este problema. É bem provável que nem com eleições antecipadas nos consigamos ver livres de Sócrates e começar a sarar as feridas, tentando salvar o país.

Além de tudo o mais, estou convencido que há por aí muita gente interessada na continuidade de Sócrates, sobretudo gente que vive à custa do modo de estar do actual PM, da sua forma de se arreigar ao poder, distribuindo “jobs” aos “boys” e colocando em todas as áreas vitais e estratégicas, da economia, da comunicação social pública e privada e no Estado, gente que trata de curar a sua imagem, de amplificar o seu discurso demagógico e badalar aos quatro ventos, as medidas populistas do seu governo.

Portugal não é a Grécia e o povo português não é o grego, é bem verdade, mas os nossos governantes e, em especial, o nosso PM, não poderia chamar-se outra coisa que não fosse Sócrates!… – O nosso problema!…