Opinião Victor Dias: Que rumo queremos para Portugal

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Tenho de vos confessar que nos últimos tempos tenho andado muito entusiasmado e mergulhado num género de trabalho, muito absorvente e fatigante, mas que gosto particularmente de fazer. Este facto tem-me impedido de acompanhar, como eu gostaria, o debate político protagonizado pelos líderes dos vários partidos que a 27 de Setembro esperam pelo nosso voto.

No entanto, apesar da minha manifesta falta de tempo, e às vezes de paciência, lá tenho conseguido, já madrugada dentro, assistir à reposição de alguns pretensos debates. Digo pretensos porque, de facto, o iluminado que propôs o novo formato de debate político, deve ter uma paixão por monólogos em ping-pong que não têm a chama nem o sumo de um debate acalorado e democraticamente regrado.

Pese embora o facto de não nutrir qualquer simpatia pelos personagens, o programa de apresentação de ideias avulsas que mais me prendeu, foi sem dúvida o que se realizou, colocando lado a lado, e não frente a frente como seria desejável, Sócrates e Portas. Criticaram-se mutuamente, declinaram responsabilidades de tudo e mais alguma coisa e no fim, ficamos sem nada, ou seja, não nos foi apresentado um programa, ainda que em síntese, para a governação, caso algum dos respectivos partidos consiga os votos suficientes para formar governo, o que espero não aconteça de todo, para bem de Portugal.

Todos os restantes programas foram mais ou menos mornos, alguns até tristonhos, demonstrando que os seus intervenientes estavam ali pela obrigação do frete, a que não poderiam fugir, lembrando meninos que são obrigados a tomar uma vacina, porque tem de ser.

O tempo está a passar e não vejo jeitos de alteração do panorama. Temo que cheguemos ao dia das eleições sem verdadeiramente conhecer, em concreto e com o compromisso adequado, que rumo querem, uns e outros, dar ao nosso país.

Todos os leitores sabem e eu não nego isso, bem pelo contrário, que ainda sou crente nas virtudes da social democracia, mas será para mim frustrante ter de ir votar, apenas com uma firme convicção ideológica sobre o pensar e o fazer política com fidelidade a essa matriz, quando afinal esperava mais, muito mais.

Penso que temos o direito de saber o que querem fazer os políticos caso sejam eleitos para usar o poder em nosso nome e mais do que isso, também entendo que devíamos saber quem será quem e o quê no futuro governo, para que tivéssemos a possibilidade de aquilatar do currículo e da competência dos putativos ministros, enfim, era o mínimo.

Resta-nos a consolação de podermos ter essa segurança e decidir em consciência no dia 11 de Outubro. Aí sim, sabemos quem é quem, que experiência tem, que provas deu que competências lhe são reconhecidas e podemos decidir com maior certeza, correndo menor risco de nos enganarmos e torcer a orelha.

Victor Dias